Ilha Diana - Santos

Ilha Diana – Santos

Mapa da Ilha Diana - Santos

Ilha Diana é um bairro localizado na parte continental da cidade de Santos, na confluência dos Rios Sandi e Diana (veja o mapa acima), com acesso somente de barco, que sai em vários horários da estação Santos – Vicente de Carvalho, atrás da Alfandega de Santos, junto à Praça da República (Centro).

Símbolo de resistência, é uma das únicas colônias de pescadores ainda existentes na Baixada Santista.

O lugar começou a ser habitado na década de 40, depois da desapropriação da Vila da Bocaina, localizada em Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá.

Seus habitantes deixaram o vilarejo para que fosse construída a pista de pouso da Aeronáutica do Brasil, dando origem à Base Aérea de Santos – BAST.

A fauna e a flora locais constituem-se de espécies típicas de manguezais.

No caso da vegetação, é possível observar o mangue branco e o mangue vermelho e no caso dos animais, uma quantidade – infelizmente já bem reduzida – de espécies de caranguejos, peixes – como robalo, tainha, mero, caratinga e parati, camarões, moluscos – como mexilhões, ostras e mariscos, aves de diversas espécies como garças, guarás, socós, saracuras e colhereiros – e mamíferos como o mão-pelada e a lontra.

Traços da Cultura Caiçara

Apesar da influência dos centros urbanos próximos, a Ilha Diana é um dos raros locais da Baixada Santista onde os traços da cultura caiçara ainda podem ser observados nas técnicas e artefatos utilizados na pesca e no domínio de recursos naturais como o bambu e a madeira que é materializado em objetos, utensílios e artefatos de uso rotineiro.

A esperança que vem com o turismo

Navegar, apreciar a natureza, conhecer a cultura caiçara e comer um prato típico da região.

É possível fazer tudo isso em um único dia na Ilha Diana.

Isolada de centros urbanos, com seus carros, construções e todo tipo de barulho, a “Ilha” é um ambiente de tranquilidade e total simplicidade, com suas casas de madeiras numa região de mangue e restinga, tendo a pesca artesanal como principal fonte de renda e subsistência, conservando os hábitos e a cultura caiçara.

Os moradores “coexistem ao ambiente”, sendo responsáveis por sua conservação (Jornal Santista).

O turismo é provavelmente a última esperança de sobrevivência para a população da ilha, já que a expansão portuária ignorou os impactos ambientais e praticamente acabou com a pesca na região.

Um dos maiores patrimônios históricos da Ilha Diana é a Capela do Bom Jesus de Iguape (que recebeu este nome pelo fato dos primeiros moradores serem naturais de Iguape).

Capela construída pelo esforço coletivo da comunidade, e inerente a sua tradicional festa anual, a “Festa do Bom Jesus”, comemorada no dia 06 de Agosto, que sempre atraiu turistas para a “Ilha”, sendo vital nas atividades econômicas desenvolvidas pelos caiçaras.


(esse vídeo super legal foi feito por esse cara aqui: Wagnão)

Santos no Século XVIII

História de Santos, de Vila à Cidade

Santos no Século XVIII

Na sua edição especial de 26 de janeiro de 1939, comemorativa do centenário da elevação de Santos à categoria de cidade – exemplar no acervo do historiador Waldir Rueda – o jornal santista A Tribuna publicou esta matéria:

Santos e a Civilização Brasileira

História breve dos fatos principais da Vila e Cidade, em seu desenvolvimento, entre os anos de 1550 e 1938

Em 1550, chegava ao termo da Vila o enviado de el-rei D. João, o provedor-mor Antonio Cardoso de Barros, o qual, após ter fundado no ano anterior a Alfândega da Bahia, e a Alfândega Seca de S. Vicente, vinha instalar a Alfândega de Santos, o que fez, entregando o provimento da mesma a Braz Cubas, tornado então, e confirmado em 1551, provedor da Fazenda Real da Capitania de São Vicente.

A 8 de fevereiro de 1552, chegava a Santos o governador geral Tomé de Sousa, aprovando, então, o foral de vila dado a Santos seis anos antes por Braz Cubas.

Em março de 1560 dava-se a chegada de Mem de Sá, que lhe construiu um forte perto da Casa do Conselho, denominado Forte da Vila, e mais tarde “da Praça” e “do Monte Serrate”, passando ao planalto, onde extinguiu a Vila de Santo André da Borda do Campo e oficializou a de S. Paulo de Piratininga.

Confederação dos Tamoios

Em 1563 anunciava-se a famosa Confederação dos Tamoios, que era a reunião de cerca de 10.000 guerreiros tamoios, resolvidos a liquidar Santos, São Vicente e S. Paulo. De Santos saíram, então, José Adorno com gente sua e embarcações de sua propriedade, levando os padres Manoel da Nóbrega e José de Anchieta, resultando daí o afastamento do perigo, com as pazes entre tamoios e portugueses e a realização do histórico armistício de Yperoig.

Em 1565, confirmando o socorro dado a Estácio de Sá no ano anterior, deu Santos ao mesmo valoroso comandante novo socorro de gente, armas, munições, embarcações e mantimentos, seguindo José Adorno e seu administrador Heleodoro Eoban Pereira, à testa de um corpo de combatentes, e mais, Manoel da Nóbrega, José de Anchieta, Gonçalo de Oliveira e Pedro Martins Namorado, contra a gente de Villegaignon e tamoios aliados, conseguindo desalojá-los e expulsá-los da Guanabara, fundando a cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro, a 20 de janeiro de 1567.

Durante o socorro de Santos ao Rio de Janeiro, foi a Vila invadida pelos tamoios de Ubatuba, e, desamparada como estava pela sua melhor gente, quase foi destruída, salvando-se pela astúcia de um índio negro, cujo nome não ficou na história.

Em 1583 era Santos invadida pela gente de Edward Fenton, comandante inglês, que, sabendo estarem os habitantes descontentes com o domínio espanhol, pretendeu com astúcias e engodos obter a adesão dos santistas à ideia do domínio inglês. Com a chegada da esquadra do almirante castelhano Diogo de Valdez, travou-se combate encarniçado entre os espanhóis auxiliados pela guarnição e pelo povo da vila e os marinheiros de Fenton, que terminou com a expulsão dos intrusos, o afundamento de sua nau capitânia e o apresamento de muita arma e munição, que serviu para instalação da Fortaleza de Barra Grande, logo a seguir.

Em 1585, instalava-se em Santos o famoso Colégio dos Jesuítas, que tantas luzes lançaria no campo intelectual da colônia e da vila.

Em 1590, é Santos novamente invadida, e desta vez pelos corsários de Cook e Cawendish, que a ocuparam durante quase um mês, depredando-a, saqueando-a e prejudicando seus papéis e arquivos, com os incêndios efetuados, o desaparecimento do Livro do Tombo etc.

Em 1591 voltou Cawendish a Santos, mas, desta vez, prevenida a população, foram os piratas repelidos e morta uma parte de sua gente.

Em 1614 verifica-se a invasão do almirante Joris Van Spilbergen, com seis naus de guerra, tendo os santistas repelido, após muitos dias de combate, com o auxílio de Amador Bueno e Lourenço Castanho, Tacques, as tropas invasoras, que pretendiam começar o domínio holandês tentado depois com êxito na Bahia.

Santos em auxílio da Bahia

Cerca de 1640, atendendo aos insistentes pedidos de socorro, lançados pelos baianos aos paulistas, organizou-se em Santos uma grande legião de índios brasileiros e portugueses, que, reunida à tropa descida de São Paulo, um batalhão de duzentos paulistas e trezentos sagitários, partiu para a Bahia, sob o comando do capitão Luís Pedroso de Barros, D. Francisco Rendon de Quebedo, Diogo da Costa Tavares, Manoel Fernandes Abreu, João Paes Florião e Antonio Raposo Tavares. Com a retirada de D. Francisco de Quebedo operada no Rio de Janeiro, passou Antonio Raposo Tavares para a chefia da tropa, e sob seu comando, cumpriu a gente de Santos e São Paulo o seu espontâneo dever, em largos anos de guerras e trabalhos.

Em 1642, 1646 e 1647, novas forças foram enviadas de Santos para o mesmo destino. Em 1647, ao passo que uma bandeira de 200 homens de guerra e outros tantos índios seguia por terra, num feito extraordinário e sem precedentes, rumo da Bahia, outra coluna de 2.200 homens, índios, paulistas e portugueses, seguia por mar, em naus, galeras e bergantins, levando precioso auxílio aos baianos, que puderam dentro de pouco tempo vencer a pressão dos holandeses, e expulsar os batavos do solo brasileiro.

Gente santista para o Prata

Em 1679, chegando a Santos o tenente-general Jorge Soares de Macedo, com ordens de D. Rodrigo de Castello Branco, pouco depois lhe fornecia a gente santista um corpo de 200 flecheiros e 300 homens de guerra, para uma jornada ao Rio da Prata, onde os espanhóis perturbavam a paz do Sul do Brasil, ameaçando ocupar a atual região do Rio Grande, a fim de desalojá-los e prosseguir caminho, no descobrimento de prata e ouro.

Em 1683, estourava em Santos a revolta do “viva o povo e morra o mau governo”, em consequência do mesmo movimento estalado em São Paulo, e dada a justiça da causa dos paulistas.

A expedição Ducler

Em 1710 chegava a Santos, com propósitos de invadi-la, Francisco Ducler, o infortunado comandante francês, que, repelido, rumou para o Rio de Janeiro, onde, após rudes combates, conseguiu penetrar, sendo por fim envolvido e aprisionado. Quando de sua chegada a Santos foram repelidos porque os santistas, sabedores da aproximação dos franceses, puderam obter a tempo o auxílio de Amador Bueno da Veiga, Domingos Fernandes Pinto e mestre de campo Domingos da Silva Bueno, e dos notáveis sertanistas.

Contra o monopólio do sal

Nesse mesmo ano, era a vila santista invadida por Bartolomeu Fernandes Faria, à frente de fortíssimo corpo de 200 homens de guerra e 600 índios carijós, e aí, apesar de ser uma praça fortificada, com 4 companhias de infantaria paga, sob o governo do mestre de campo José Monteiro de Matos, não pôde resistir à gente de Bartolomeu Fernandes, chegada de surpresa.

Bartolomeu, entretanto, não vinha fazer mal a ninguém, vinha apenas dar uma lição ao governo da metrópole e aos gananciosos do comércio do sal, que, valendo-se de um monopólio odioso e com os armazéns transbordantes do precioso elemento, protegidos pela política do reino, exploravam os compradores locais e de serra acima, cobrando preços verdadeiramente absurdos pelo fornecimento desse sal.

Bartolomeu tomou tais armazéns, tirou toda a quantidade de que precisava, pagou-a ao preço anterior, que era o justo e devido, sem fazer o menor mal ao respectivo contratador, retirando-se em seguida, pelo mesmo caminho, a rumo da serra.

Equiparação da Alfândega santista à do Rio

Em 1720, era a Alfândega de Santos equiparada à do Rio de Janeiro, fato esse conhecido em Santos somente alguns meses depois.

Em 1765, era feito o primeiro recenseamento santista, por ordem de D. Luís Antonio de Sousa Botelho Mourão, verificando-se que Santos tinha uma população de apenas 2.081 habitantes, sendo 942 homens e 1.139 mulheres, sendo a maior fortuna da vila a do sargento-mor João Ferreira de Oliveira, no valor de 16 contos de réis.

Em socorro do Rio Grande do Sul

Em 1766, os espanhóis invadiam novamente o Rio Grande do Sul, e o governador da praça santista organizou, no termo da vila e redondezas, quatro companhias de aventureiros, sob o comando do sargento-mor José da Silva Santos, enviando-as em socorro daquela região brasileira.

Em 1774, perduravam ainda os acontecimentos do Rio Grande, e mais quatro companhias de dragões paulistas embarcavam em Santos, reforçadas com voluntários locais, para o mesmo destino e mesmo fim.

Em 1776 seguiam as últimas forças enviadas de Santos para o campo de operações do Sul. Eram tropas regulares. Um regimento de infantaria da guarnição da praça, que tomou o nome de seu comandante, o coronel Manoel Mexia Leite, sente que, em regra geral, não recebia soldo havia dez a quinze anos, e alguns, mais desfavorecidos, havia trinta anos.

Essa força retornou em 1780 a Santos, com o resto das expedições anteriores, depois de lutas que duraram tantos anos e que terminaram com a expulsão completa e definitiva dos castelhanos.

Os serviços postais e a iluminação

Em 1798 aparecia o primeiro correio entre Santos, São Paulo e Rio de Janeiro, criado pelo capitão-general Antonio Manoel de Mello Castro e Mendonça.

Logo a seguir, em 1800, a 14 de outubro, o mesmo capitão-general estabelecia novas linhas postais entre S. Paulo, Itu, Paranaguá e S. Sebastião, ligando Santos a todos esses pontos da Capitania.

Em 1810, a 17 de janeiro, era expedido regulamento para a primeira iluminação de Santos, com 69 lampiões de azeite de baleia.

Na campanha de Montevidéu

Em 1811 e 1812 pronunciava-se a Campanha de Montevidéu, e novamente Santos era chamada a participar das forças brasileiras enviadas para aquela campanha. Várias unidades regulares e irregulares seguiram de Santos, sob o comando de várias patentes, incluindo o sargento-mor e futuro brigadeiro e marechal, Joaquim Mariano Galvão de Moura Lacerda, o tenente de artilharia, futuro marechal João Olyntho de Carvalho e Silva, o capitão e também futuro marechal de campo José Olintho de Carvalho e Silva, além de outros de menor patente.

No recenseamento de 1814

Em 1814, novo recenseamento era feito em Santos, e a vila aparecia, então, com uma população de 5.128 habitantes, sendo 1.319 homens, 1.674 mulheres e 2.135 escravos, com 691 casas, divididas por 15 ruas e praças.

Entre esses habitantes, existiam 10 alfaiates, 1 boticário, 6 botequineiros, 2 barbeiros, 4 calafates, 17 carpinteiros, 9 ferreiros, 4 frades, 76 lavradores, 2 médicos (do presídio), 1 mestre de primeiras letras (régio), 2 marceneiros, 2 músicos, 77 negocianes, 5 ourives, 1 tabelião, 8 sacerdotes, 3 pintores, 24 sapateiros, 1 tanoeiro, 1 tamanqueiro, 8 padeiros, 1 paleiro e 1 pasteleiro.

Novas operações militares

Em 1816 e 1817, novas ações militares brasileiras, na fronteira do Rio Pardo, levavam novas forças de Santos, e novamente soldados e comandantes santistas eram chamados a intervir em favor da pátria ameaçada, sendo o tenente-coronel Joaquim Mariano Galvão de Moura Lacerda, sub-comandante dos combates de Cassumbé, em outubro de 1816, e da batalha da Catalã, em janeiro de 1817, e bem assim o então capitão José Olintho de Carvalho e Silva, voltando ambos a Santos, com as forças vitoriosas do Brasil, somente no ano de 1821, após cinco anos de guerras.

Em 1816, operava-se novo recenseamento em Santos, aparecendo a vila com mais 248 homens livres e 82 escravos a menos que o recenseamento anterior, efetuado em 1814.

A revolta de Francisco das Chagas

Em 1821 estourava em Santos, em junho, a famosa Revolta do Francisco das Chagas, fruto do preparo civil da mentalidade separatista de Santos. Esta revolta deu início aos acontecimentos políticos militares de S. Paulo, que, em articulação com os Andradas, originaram a precipitação e a realização da Independência, em que apareciam, como responsáveis diretos e indiretos, muitos cidadãos santistas.

A proclamação da Independência

Em 1822, a 3 de setembro, chegava a Santos o príncipe imperial regente, que José Bonifácio, em combinação com a princesa D. Leopoldina, Martim Francisco e quase todo o ministério sob sua chefia, deslocara para S. Paulo, a fim de embeber-se do espírito independentista dos paulistas.

Em Santos, convenceu-se D. Pedro da fidelidade e do estado das tropas e das fortalezas de Santos, como já se certificara da realidade militar e cívica de toda a província, proclamando, dois dias após sua saída de Santos, a Independência brasileira, no alto da colina do Ipiranga. Santos concorrera como sempre, para o bem do Brasil, ajudando, melhor do que nenhuma outra cidade talvez, a grande obra de sua separação política (N.E.: o autor se equivocou nas datas, D. Pedro na verdade chegou a Santos na tarde do dia 5 e saiu no alvorecer do próprio dia 7 em que proclamaria a Independência).

Novos recenseamentos e o caminho do mar

Nesse ano de 1822, novo recenseamento foi realizado em Santos, bem detalhado e completo. Viu-se que a vila possuía 4.781 habitantes, dos quais 2.489 homens e 2.292 mulheres, sendo 2.696 livres e 2.085 escravizados. Compunha-se Santos de vinte ruas e praças.

Em 1827, a 17 de fevereiro, inaugurava-se a estrada de rodagem de Santos ao Cubatão, completando o Caminho do Mar, sobre o grande aterrado dirigido e efetuado pelo notável engenheiro cel. Daniel Pedro Muller, cessando desde então o tráfego de canoas e outras embarcações do Cubatão para Santos, baldeando a carga trazida do planalto.

Em 1828 realizava-se novo recenseamento. Santos aparecia com 5.142 habitantes.

Primeira Câmara e juizados de paz

Em 1829, verifica-se a eleição da primeira Câmara Municipal do Império, denominada Câmara dos Padres, por conter quatro sacerdotes (N.E.: entenda-se como primeira de Santos no tempo do Império).

Nesse mesmo ano, a 1º de dezembro, promulgava-se a lei, criando em Santos os juizados de paz, como de resto em toda a província, tendo sido nomeado primeiro juiz de paz aqui, o capitão João Baptista Rodrigues da Silva, e o segundo, anos depois, Barnabé Francisco Vaz de Carvalhaes, proprietário da ilha que hoje tem o seu nome.

Em 1836, a 4 de setembro, inaugurava-se o terceiro Hospital definitivo da Misericórdia, junto ao Monte Serrate, sendo seu realizador o cap. Antonio Martins dos Santos, provedor de 1835 a 1836, inaugurando-o, todavia, o novo provedor de 1836 a 1839, cons. Cláudio Luís da Costa.

“O Rancho Grande e o Hospital da Misericórdia, tomados no ano de 1839, exatamente há cem anos, quando se deu a elevação de Santos à categoria de cidade”

Elevação de Santos à categoria de cidade

Em 1839, a 26 de janeiro, verifica-se a elevação de Santos à categoria de cidade, em homenagem à memória de José Bonifácio de Andrada e Silva, falecido no ano anterior, sendo a comunicação recebida somente a 26 de fevereiro seguinte, e aí comemorada com grandes festas e intenso júbilo.

Em 1840 verificava-se a nova iluminação pública, expedindo o desembargador Manoel Machado Nunes, presidente da província, o novo regulamento, que dotava Santos de 60 lampiões de quatro luzes, ainda a azeite.

Em 1846 Santos era visitada pelos imperadores D. Pedro II e D. Thereza Christina.

Criação da Capitania dos Portos – Em 1847, a 11 de setembro, era criada pelo governo a Capitania dos Portos de S. Paulo, em Santos, por decreto n. 531 daquela data.

Em 1848 aparecia, a 2 de setembro, o primeiro número da Revista Commercial, o primeiro jornal impresso que circulou em Santos.

Em 1854, novo recenseamento se processava em Santos, já então cidade, verificando-se uma população de 7.855 habitantes, dos quais 4.199 eram homens e 3.656 mulheres; nacionais 7.145 e estrangeiros 710.

A 21 de agosto de 1859 fundava-se em Santos a Sociedade Portuguesa de Beneficência. A primeira pedra do hospital próprio foi lançada a 12 de abril, mas o hospital só foi inaugurado dez anos depois, a 6 de janeiro de 1878.

A 24 de novembro de 1860 realizavam-se em Santos os primeiros trabalhos para instalação da Estrada de Ferro Inglesa, que só se inaugurou sete anos depois, a 16 de fevereiro de 1867.

Santos na Guerra do Paraguai

Em 1865 pronunciava-se a Guerra do Paraguai, e Santos, como sempre, movimentou-se, transformando-se em praça militar, recebendo grandes contingentes de S. Paulo e do interior, engrossando-os com seus voluntários, sendo suas tropas regulares e seus recrutas, além de alguns oficiais que se evidenciaram naquela campanha, como o depois general Affonso Pinto de Oliveira, o tenente Campos Mello, o futuro marechal João José da Luz, o também futuro marechal Pêgo Júnior, o cel. Joaquim Antonio Dias, o brigadeiro José Ferreira (morto em combate na passagem de Itororó) e o tenente José Ricardo da Costa Aguiar, oficial da marinha (também morto em combate em Riachuelo).

Em 1868 foi feito o primeiro serviço de águas para abastecimento da cidade, ao mesmo tempo da primeira iluminação a gás, serviços inaugurados, porém, dois ou três anos depois.

Fundação da Associação Comercial

A 17 de setembro de 1874 fundava-se e instalava-se em Santos a Associação Comercial, então a “Praça do Café”, resultado dos esforços do com. Ferreira da Silva, do Visconde de Embaré, do Visconde de Vergueiro, do dr. Ignácio Wallace da Gama Cochrane, do comm. João Alfaya Rodrigues, Azurém Costa, Henrique Leuban e mais alguns.

Em 1871 foi feito o penúltimo recenseamento santista, ao tempo do Império. Santos tinha 9.191 habitantes e 1.382 prédios; 7.585 eram livres e 1.506 escravos.

Em 1872 inaugurava-se a primeira linha de bondes de burro estabelecida na cidade, a 7 de setembro, ligando a cidade ao Boqueirão.

Em 1874 a população santista é atacada pela febre amarela e pela varíola, principalmente por esta última, figurando entre as vítimas notáveis Xavier da Silveira, santista ilustre.

Em 1876 construía-se a nova Alfândega, sobre a velha, sendo as obras fiscalizadas pelo dr. Garcia Redondo.

Nesse mesmo ano, realiza-se a 2ª visita da família imperial a Santos. Já o sentimento republicano começava a se alastrar na cidade, ao mesmo tempo dos primeiros movimentos abolicionistas.

Abolicionismo e republicanismo

Em 1882, intensa e enorme era a contribuição de Santos em favor dos ideais da Abolição e da República, fundando-se nesse mesmo ano o Jabaquara, famoso reduto armado, onde se acoutavam em 1888 alguns milhares de negros, arrancados ao cativeiro pela gente de Santos e tornados livres.

Em 1884 verificava-se em Santos o motim popular conhecido como o Quebra-lampiões, levantando-se o povo contra a Cia. que explorava os serviços de bondes, água e luz, quebrando todos os lampiões e atirando os bondes ao mar.

A 27 de fevereiro de 1886, celebrava-se a extinção completa da escravidão em Santos e São Vicente, fundando-se uma associação que tomou o nome da data, 27 de Fevereiro, destinada a resgatar e livrar escravos das vizinhanças ou que passassem pelo porto.

Em 1886 realizava-se o último recenseamento do Império. Santos apresentava uma população de 15.605 habitantes.

A abolição em 1888 e a concessão do cais

A 13 de maio de 1888, verificava-se a Lei Áurea, e Santos, que formara na vanguarda das cidades abolicionistas, promoveu oito dias de festas, em que o trabalho ficou inteiramente suspenso para todos, não se cogitando de outra coisa, senão das comemorações de um povo que lutara e sofrera para o Brasil chegar a tal resultado.

Nesse mesmo ano de 1888, assinava-se o contrato para a construção do cais de Santos, sendo suas primeiras obras iniciadas quase ao fim desse ano e princípios de 1889, partindo do antigo Arsenal.

Proclamação da República

A 15 de novembro de 1889 verificava-se a grande passagem da Proclamação da República, e novamente Santos se engalanava, vendo vencer um ideal, que a melhor parte do seu povo defendera durante muitos anos, sofrendo e lutando por ele.

Em 1890 realizava-se o primeiro recenseamento da República, aparecendo Santos com a população de 13.012 habitantes, ou seja, 3.000 almas a menos do que o último realizado 4 anos atrás, o que se atribuiu à grande epidemia de febre amarela de 1889, que dizimara a população local e afugentara muita gente.

Em 1893 verificava-se a Revolta da Armada, agitava-se novamente Santos, dividida em dois campos, pró e contra Floriano, transformando-se em praça de guerra, com fortalezas e baterias alertas, lutas internas, perseguições, prisões etc.

Em 1894 promulgava-se a primeira Constituição Municipal, assinando-a: dr. Manoel Maria Tourinho, José Caetano Munhoz, Alexandre José de Mello Júnior, José André do Sacramento Macuco, Alberto Veiga, Antonio Manoel Fernandes, João Braz de Azevedo, Antonio Vieira de Azevedo e Augusto Filgueiras.

Santos no século XX

Em 1900 realizava-se o segundo recenseamento municipal. Santos aparecia com uma população de 50.389 almas. Em 1901 já contava 52.000 e cerca de 5.000 casas, e atravessava então sua grande fase de expansão.

Em 1913 operava-se novo recenseamento, dividindo-se a cidade em 8 distritos. Em 1914, a 7 de maio, proclamava-se uma população de 88.967 almas.

Em 1918, essa população já era de 100.000 almas, com dez mil prédios. Nesse ano, é a cidade assolada pela “espanhola”, a terrível epidemia de gripe, que matou milhares de pessoas.

A 26 de dezembro de 1926 fundava-se em Santos sua primeira Estação Rádio Transmissora, o “Rádio Clube de Santos” – P.R.B.4.

Em outubro de 1930 atravessou Santos um período agitado com a vitória da revolução de 3 de outubro, chefiada pelo sr. Getúlio Vargas, assistindo-se a correrias populares, incêndios, empastelamentos etc.

Em 1932 verificava-se em S. Paulo a Revolução Constitucionalista. Santos agitou-se, e aderindo quase inteiramente ao grande movimento cívico, deu cerca de 5.000 soldados regulares e irregulares, e milhares de contos de réis em jóias e donativos de toda ordem, perdendo 36 filhos em campanha.

Em 1934 inaugurava-se em Santos a segunda Estação Rádio Transmissora, a “Rádio Atlântica de Santos” – P.R.G.5.

A 25 de março de 1936 realizavam-se as primeiras eleições municipais, após o evento revolucionário de 1930.

A 10 de novembro de 1938, era dissolvida a Câmara Municipal de Santos, eleita em 1936, por força do golpe de Estado do presidente Vargas.

Fonte: Jornalista Carlos Pimentel Mendes, do Novo Milênio
Povoado de Santos

História de Santos, de Povoado à Vila

Povoado de Santos

Na sua edição especial de 26 de janeiro de 1939, comemorativa do centenário da elevação de Santos à categoria de cidade – exemplar no acervo do historiador Waldir Rueda – o jornal santista A Tribuna publicou esta matéria:

Primórdios da cidade hoje centenária

Início da povoação de Santos e seus continuadores até sua elevação a vila, de 1532 a 1546

Santos não teve, propriamente, uma fundação, porque o seu aparecimento não foi pré deliberado, como aconteceu com tantas cidades de hoje, nem sua existência dependeu ou começou do Hospital (Misericórdia), fundado em 1542, como erroneamente se considerou durante muitos anos, por falta de um estudo aprofundado.

O aparecimento da História de Santos, do santista Francisco Martins dos Santos, obra apreciada por Taunay, Pedro Calmon, Baptista Pereira, Max Flaiuss, conde de Affonso Celso, Evaristo de Moraes, Tristão de Athayde, Ulysses Paranhos, Instituto Histórico da Bahia, Instituto Histórico do Espírito Santo e pela Câmara de Santos de 1937 e tantas outras autoridades, veio trazer luz definitiva ao caso, mostrando, antes de mais nada, que o Hospital da Misericórdia era uma consequência do povoado formado em dez anos e não o contrário.

A verdade, pois, já consagrada pelos que, modernamente melhor podem proclamá-la, é que, ao chegar Martim Afonso de Sousa à região, no ano de 1532, antes mesmo de preocupar-se com a criação da Vila de S. Vicente, seu primeiro cuidado foi distribuir entre os homens que trazia, “de acordo com os seus merecimentos e nobreza”, na forma das ordenações reais, as terras vicentinas (principalmente as da atual Santos, como se viu depois).

Foi assim que, naquele mesmo ano da chegada, 1532, estabeleceram-se no lugar denominado Enguaguaçu (por ficar junto à enseada de tal nome), os colonizadores Paschoal Fernandes, Domingos Pires, Braz Cubas, Luís de Góes, José e Francisco Adorno e Mestre Bartholomeu Fernandes Gonçalves; José e Francisco Adorno, nobres genoveses, e os demais todos portugueses.

O lugar era excelente, porque possuía boas águas, nascidas dos morros adjacentes (atuais Monte Serrate, Fontana, S. Bento, Penha etc.), boas terras para o plantio de cana-de-açúcar, era abrigado dos índios, por ser isolado das grandes matas pelo colar marítimo, e possuía excelente porto para embarcações de todo vulto.

Assim, Luís de Góes estabeleceu-se junto ao outeiro de Santa Catarina; Paschoal Fernandes e Domingos Pires, em sociedade, estabeleceram-se junto à Fonte do Itororó; Braz Cubas estabeleceu-se junto ao Monte Serrate, ao sopé da baixada que este faz para ligar-se ao do Fontana (nomes atuais); mestre Bartholomeu estabeleceu-se junto ao morro de São Bento, todos com roças de cana de açúcar; e, finalmente, os dois irmãos José e Francisco Adorno, que já tinham estado na ilha da Madeira entre os usineiros de açúcar, estabeleceram-se ao centro da várzea, junto ao rio São Jerônimo (altura da atual Praça Rui Barbosa), com o grande Engenho de São João, que em 1533 estava funcionando.

O povoamento de Santos – a secundar o trabalho destes colonizadores, aparece, como ocupantes da atual ilha Barnabé, naquele mesmo ano de 1532, o português Henrique Montes, que viera como prático da Armada de Martim Afonso, como ocupante do atual Itapema, o nobre Jorge Ferreira (mais tarde genro de João Ramalho), e como ocupante do sítio das Neves, em frente ao atual Valongo, o nobre Pero de Góes, irmão de Luís de Góes, com o grande Engenho da Madre de Deus com capela na mesma invocação, engenho esse que foi o primeiro da Capitania. Mais adiante, ocupando as terras do atual Cubatão, apareciam Francisco e Ruy Pinto, nobres portugueses, pai e filho.

Estes foram em 1532 e 1533 o primeiro e segundo planos do povoamento santista, coincidindo-se, daí, que, por força da lavoura e da indústria localizadas no ponto mais oriental da ilha de São Vicente, o lugar onde surgiu Santos, teria de 1532 a 1533 cerca de vinte ou trinta pequenas casas e ranchos e uma população (de senhores e agregados) de mais ou menos oitenta indivíduos, entre os quais os nobres apontados, seus colonos, artífices pedreiros, carpinteiros e ferreiros (trazidos na Armada), e, certamente, alguns homens de armas para sua garantia (dos muitos que trouxera Martim Afonso, como se sabe).

Esse foi, pois, indiscutivelmente, o início de Santos, ou seja o Povoado de Enguaguaçu, a que ligeiramente aludiu o Auto de Posse de Braz Cubas, de 1540, pouco depois, em 1541, denominado Porto de São Vicente, com a transferência oficial do fundeadouro antigo da Ponta da Praia (N.E.: na época em que este artigo foi publicado, acreditava-se que o primitivo fundeadouro vicentino fosse na Ponta da Praia, e não do outro lado da ilha, junto ao povoado de São Vicente, como foi determinado em pesquisas posteriores), e mais tarde, de 1544 em diante, denominado Porto de Santos, devido à invocação do Hospital, inaugurado em 1543 – Porto de Santos, que passou muito naturalmente ao povoado.

Os fundadores de Santos – Muitos são os autores antigos que atribuem a fundação de Santos a Martim Afonso, e, entre os mais notáveis, citaremos Simão de Vasconcellos, o famoso jesuíta, autor da história de sua Ordem, que conviveu com os filhos dos fundadores de Santos e que escreveu sua obra sobre os manuscritos de Manoel da Nóbrega; Rocha Pitta, o primeiro historiador brasileiro, em sua História da América Portuguesa, obra aprovada pela Academia Real de História Portuguesa, que lhe valeu o título de fidalgo; frei Antonio de Santa Maria Jaboatão, em sua Chronica dos Frades Menores da Província do Brasil, obra consagrada pelos portugueses e mandada reimprimir no século passado (N. E.: século XIX) pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; frei Francisco de Santa Maria, em seu Santuário Mariano, frade do tempo de Jaboatão e uma das autoridades contemporâneas.

O próprio documento em que todos os autores de 1839 para cá se basearam para tratar da história de Santos e São Vicente – o famoso Diário da Navegação, de Pero Lopes de Sousa, cosmógrafo da Armada de Martim Afonso, acusa a fundação pelo donatário de duas povoações no litoral vicentino (São Vicente e mais uma).

Ora, juntem-se esses depoimentos todos, descrição que fizemos do início santista, início esse que foi todo presidido por Martim Afonso de Sousa, que só partiu, de volta a Portugal, a 22 de maio de 1532, e chegaremos realmente à conclusão de que, por ser dono das terras santistas, por havê-las distribuído pessoalmente aos seus primeiros ocupantes e por haver assistido às primeiras instalações, primeiras plantações e primeiros aproveitamentos industriais, animando a todos com a sua presença protetora e sua força moral, ele foi de fato e de direito um dos fundadores de Santos, embora não fosse um de seus povoadores.

Justo é, pois, que, historicamente, juntemos aos nomes daqueles sete iniciadores de Santos o nome venerável de Martim Afonso de Sousa, que, retirando-se para Portugal assim que viu tudo bem encaminhado nas duas colônias vicentinas, deixou um capitão-mor em São Vicente e um fiscal em Enguaguaçu, fiscal esse que foi Braz Cubas até 1536, quando este passou o posto a Rodrigo de Lucena por ter de partir para a Europa.

O papel de Braz Cubas – Em 1536, o chão santista estava já tão povoado e cultivado que Braz Cubas, que naquela altura só possuía as terras acanhadas do Monte Serrate, na impossibilidade de se expandir ali mesmo ou de adquirir mais terras em redor, partiu para Portugal em princípios daquele ano, a conseguir de d. Ana Pimentel, mulher e procuradora de Martim Afonso, já então na Índia, a doação das terras de Jurubatuba e Ilha Pequena (Barnabé atual), vagas com a morte de Henrique Montes, ocorrida um ano antes, conforme se vê na descrição da escritura de 25 de setembro de 1536, lavrada em Lisboa.

E se grande era a confusão que se fazia entre a fundação do Hospital da Misericórdia com a fundação de Santos, menor não era o engano em se atribuir totalmente a Braz Cubas esta última, e tudo motivado, como dissemos, pela falta de um estudo aprofundado do início santista. Só os fatos de Braz Cubas ter outros companheiros mais idosos e de maior nobreza, e de precisar conseguir terras em 1536, por não ter mais lugar para onde se expandir, por força exatamente da presença de muitos outros colonizadores, demonstram que ele não seria o único fundador, e sim um dos fundadores ou iniciadores.

Braz Cubas, como se vê na própria escritura de 25 de setembro de 1536, passada em seu favor em Lisboa, era um dos servidores de Martim Afonso, espécie de escudeiro, e sabe-se – não só por isso como pelo fato de pertencer a uma família de burgueses do Porto -, que não era nobre de nascimento, mas sabe-se também que conquistou o foro de nobreza pelos grandes serviços prestados à Coroa em Santos, 16 anos depois da sua vinda com Martim Afonso, o que não diminui e pelo contrário o eleva, mas deve ser conhecido para evitar erros de interpretação, uma vez que os merecimentos de sangue “de puritate et nobilitate probanda” eram importantíssimos para efeito de distribuição dos favores reais.

A ligação tão íntima de Braz Cubas com Martim Afonso, por força de seu cargo, foi o princípio de toda a sua projeção no Brasil, uma vez que, desde 1533, ele ficou como fiscal de Martim Afonso no povoado nascente de Enguaguaçu. Depois vieram os seus grandes trabalhos em prol do mesmo povoado, a sua grande dedicação ao desenvolvimento santista, a construção da Misericórdia, ideia dele e dinheiro de todos, os seus serviços de exploração mineral e devassamento dos sertões, e em consequência a sua elevação a capitão-mor, a provedor da Fazenda, a cavaleiro fidalgo etc., e Braz Cubas, o filho do burguês João Pires Cubas, cresceu, cresceu com o povoado que embalara e ajudara a crescer, subiu, tornando-se a grande figura que indiscutivelmente tornou-se e que toda Santos venera.

A elevação a vila – Feito capitão-mor a 8 de junho de 1545, não saiu de Santos, como para lhe aumentar a importância, e desde então, todos os capitães-mores abandonaram São Vicente, passando a residir também em Santos, o que a tornou a cabeça moral da Capitania, uma vez que comercial e industrial já era.

Segundo notas de alguns historiadores, inclusive o barão do Rio Branco em suas Ephemerides Brasileiras, já a 15 daquele mesmo mês e ano, dava Braz Cubas a Santos o foro de Vila, detalhe esse, porém, que sempre foi recebido com reservas e nem pode deixar de se-lo, até que apareça um documento positivo a respeito, uma vez que nos livros de escrituras santistas, compulsados por frei Gaspar, os escrivães só se referem à Vila de Santos em janeiro de 1547, quando ainda em novembro de 1546 ainda se referiam a povoação.

Esta dúvida, aliás, e mais a dúvida que sempre houve sobre a data exata do aparecimento santista, é que determinaram, pelo tempo adiante, a ausência de comemorações aos centenários de fundação, motivando por parte da Câmara local, no princípio deste século (N.E.: século XX), a criação do Dia da Cidade, que é o 26 de janeiro de cada ano, comemorativo como se sabe da elevação da antiga vila a cidade, a pretexto para a comemoração conjunta da fundação santista, símbolo de toda uma história que só agora melhor se esclarece para a posteridade.

Aos santistas, pois, dedicamos este pequeno e verídico histórico de sua terra, desde o seu início até sua elevação a vila, como parte da homenagem que hoje prestamos à nobre, fecunda e generosa cidade de Santos.

Fonte: Jornalista Carlos Pimentel Mendes, do Novo Milênio
Marco Zero Santos

Marco Zero de Santos

Marco Zero Santos

Quem passa apressado pelo Centro de Santos raramente presta atenção a esse pequeno monumento, num canto da Praça Mauá, e poucos sabem seu significado.

É o Marco Distrital de Santos (ou Marco Zero), primeiro a ser implantado para fins de cadastro imobiliário no Estado de São Paulo.

Sobre ele, conta a História de Santos/Poliantéia Santista, de Fernando Martins dos Santos e Fernando Martins Lichti, em seu terceiro volume (1996):

“Pequeno monumento de propriedade da Procuradoria do Patrimônio Imobiliário e Cadastral do Estado de São Paulo, localizado na Praça Mauá, em cumprimento do que determina o Decreto nº 10.397, de 12 de fevereiro de 1940. O Marco Distrital, inaugurado em 12 de outubro de 1940, foi construído em granito polido de Piracicaba. Tem 1,20 metro de altura e base quadrada de 70 cm de lado. O Marco Distrital Padrão está guardado no seu interior, vedado num tubo de manilha, concretado a 35 cm abaixo do nível do terreno. Possui no topo uma calota esférica de bronze com dois sulcos em cruz assinalando o ponto que o mesmo define.

“As referências de posição são as seguintes: Longitude 46º 19′ 43″ Oeste Greenwich; Latitude de 23º 56′ 03” Sul; Altitude 4,445 metros sobre o nível do mar, onde se levanta o marco.

“É ponto de referências planimétricas da cidade, geodésimas gerais e para os serviços de topografia do Distrito de Paz de Santos. Está amarrado à rede de triangulação do Estado e ao sistema nacional de referência por intermédio do vértice do Monte Serrate. A Torre da Igreja do Monte Serrate já foi tomada como base, em 1876, para a planta hidrográfica da Barra de Santos, levantada pelo Capitão de Fragata, Barão de Teffé.

“Foi o primeiro Marco que se plantou para os serviços técnicos do Cadastro Imobiliário do Estado. Foi instalado com a presença do então interventor federal no Governo do Estado, Dr. Adhemar Pereira de Barros, e do então prefeito municipal de Santos, Dr. Cyro de Athayde Carneiro.”

Fonte: Jornalista Carlos Pimentel Mendes, do Novo Milênio
Fonte do Itororó Santos

Fonte do Itororó Santos

Fonte do Itororó Santos

Conta o falecido escritor Olao Rodrigues, em seu livro Cartilha da História de Santos (1980, Santos), que a fonte, situada no sopé do Monte Serrate, era “servida por água límpida e cristalina, que brotava da rocha a meio caminho do lendário morro” e “muita gente para lá acorria a fim de saborear o bom líquido, com ou sem sede, pois dizia-se que quem dela sorvesse, não mais deixaria a cidade. E a lenda pegou. Fez fama. Certo é que centenas e milhares de criaturas que tomaram a gostosa água aqui ficaram como desejavam.”

Fui a Itororó beber água e não achei, adeus bela morena que no Itororó deixei..

A música é bem conhecida e cantada pelas crianças em todo o Brasil, até mesmo por muitos santistas que desconhecem a sua origem.

Aliás, algumas pessoas confundem a origem da música, envolvendo na sua história o Dique do Tororó, que fica na cidade de Salvador, Bahia, são coisas completamente diferentes. Fonte do Itororó é em Santos.

Eu fui no Tororó ou fui no Itororó

A princípio chamada de Tororó, que em tupi quer dizer jorro ou enxurrada, mais tarde a bica passou a ser denominada de Itororó, que significa água barulhenta ou de enxurrada. Os dois termos, portanto, estão corretos.

Ela formava o ribeiro do Itororó, cortado por pontes de madeira e que atravessava ruas como a atual João Pessoa e XV de Novembro, em direção ao mar.

Pertenceu a Brás Cubas, fornecendo água para seu curtume, abasteceu uma lavanderia pública e, em 1932, serviu a Empresa Águas do Itororó, fabricante de refrigerantes.

Brás Cubas (nascido em dezembro de 1507 e falecido no ano de 1592) foi um fidalgo e explorador português. Fundador da vila de Santos, governou por duas vezes a Capitania de São Vicente (da primeira vez dos anos de 1545 à 1549 e pela segunda vez dos anos de 1555 à 1556). É considerado por alguns historiadores como fundador de Mogi das Cruzes, em 1560.

Eu fui no Itororó letra

Fui no Tororó beber água não achei
Achei linda Morena
Que no Tororó deixei
Aproveita minha gente
Que uma noite não é nada
Se não dormir agora
Dormirá de madrugada

Oh ! Dona Maria,
Oh ! Mariazinha, entra nesta roda
Ou ficarás sozinha !

Sozinha eu não fico
Nem hei de ficar !
Por que eu tenho o Paulinho
Para ser o meu par !

Fonte do Itororó, Praça Corrêa de Melo – Centro, Santos

Dia Internacional das Mulheres

8 de março tem greve internacional das mulheres

Dia Internacional das MulheresNo próximo 8 de março, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher, mulheres de todo o mundo organizam uma greve geral, contra os retrocessos e pela garantia de direitos. Aqui no Brasil, a principal pauta dos movimentos feministas é a luta contra a reforma da Previdência, que afeta diretamente a vida das mulheres, além da retirada de direitos sociais promovida pelo governo Temer.

A data marca o assassinato de mais de uma centena de mulheres operárias, tecelãs, de uma fábrica de tecidos em Nova Iorque, que organizaram uma greve reivindicando direitos como redução de jornada de trabalho – era de 16 horas diárias -, equiparação de salários com os homens (recebiam em torno de 1/3 do salário de um homem exercendo a mesma função), e tratamento digno no ambiente de trabalho. Os policiais reprimiram a manifestação com extrema violência, trancafiaram – a mando do proprietário – em torno de 130 mulheres na fábrica, que foi incendiada. As guerreiras morreram carbonizadas.

Em muitas cidades, o Poder Público – sempre patriarcal – propõe programações festivas e completamente esvaziadas de conteúdos e reflexões, negligenciando questões de profunda relevância como as discussões sobre o machismo estrutural, que permeia nossas posturas e mentalidades. Oferecem atividades direcionadas à estética – o que não seria um problema se trouxessem em seu bojo propostas de reflexões, por exemplo, sobre o corpo feminino e padrões de beleza -; ou práticas equivocadas que reforçam os estereótipos do que é “trabalho de mulher”, como cursos de corte e costura, confeito de bolo, manicure, etc. Reforço: a contrariedade não está nas atividades em si, mas na distorção ou esvaziamento de significado.

De que adianta oferecer flores e negar direitos? A mais clara ação do machista é negar o próprio machismo. A primeira batalha contra o machismo se trava dentro de cada um de nós.

Não há mais espaço para a hipocrisia. A sociedade civil precisa discutir esta questão, pois é o primeiro passo para transformação das mentalidades. Que o Poder Público assuma sua responsabilidade na luta contra o machismo e promova ações para uma educação crítica sobre o tema, que promova ações que empoderem as mulheres. Pois, enquanto se esvaziam significados e discussões, mulheres continuam a ser oprimidas, vítimas de violência e mortas.

Dia Internacional das Mulheres na Baixada Santista

Santos

Câmara de Santos
Homenagem as Mulheres Santistas de destaque
Dia 8/03, às 9h
Local: Auditório Zenny de Sá Goulart
Lançamento da Campanha Laço Branco
Dia 8/03, às 19h00
Local: Auditório Vereadora Zeni de Sá Goulart, piso térreo. Aberto ao público

Museu do Café
O Núcleo Educativo realizará a Oficina de Autorretrato: “Sou Mulher, logo existo”.
Dia 8/03, às 14h
No sábado, um bate-papo e oficina de desenho: “A figura e o papel da mulher na história da arte”. As atividades são gratuitas. Para visitas agendadas, é necessário se inscrever pelo e-mail educadores@museudocafe.org.br.
Dia 11/03, às 14h

São Vicente

Dinâmica, conscientização e interação entre as mulheres
Dia 8/03 às 19h30
Local: Sede a Associação Comercial (Rua Jacob Emmerich, 1238 – Parque Bitaru).

Cubatão

Bate-papo sobre universo feminino e arte. Participam do encontro: Carlota Cafiero, jornalista da área cultural; Marilda Canelas que abordará gestão cultural; Mô Amorim que vai falar sobre Cultura na Educação; a ilustradora Nice Lopes e a escritora Viveram Távora.
Dia 6/03 às 19h
Local: Bloco Cultural (Praça dos Emancipadores, s/nº). Entrada franca.

Itanhaém

O Fundo Social da cidade irá celebrar a data com um evento onde serão disponibilizados serviços como aferição da pressão arterial, corte de cabelo, maquiagem, manicure, avaliação de peso e orientações da Secretaria de Assistência Social e brindes.
Dia 08/03 das 13h às 17h
Local: Praça Narciso de Andrade

Mongaguá

A Diretoria de Assistência Social (DAS) promoverá, a partir do dia 8, um Curso de Automaquiagem, com extensão durante todo o mês de março. A iniciativa visa trabalhar não só a autoestima das mulheres, mas criar uma fonte de geração de renda para as participantes.
A partir do dia 08/03, das 9h às 11 h
Local: Centro Social de Agenor de Campos (Alameda Itanhaém esquina com a Rua Santa Terezinha)

Bertioga

O Fundo Social de Solidariedade da cidade realizará a 1ª Semana da Mulher. O evento oferecerá massagens, cortes de cabelo, crochê com fios de malha, entre outras atividades.
Dia 06 /03 das 13h às 17h
Local: Espaço Cidadão, Rua José Costa, 138 – Boraceia

Projeto Bem Querer
Dia 07/03 das 13h às 17h
Local: Rua Luiz Otávio, 266 – Vista Linda

Dia 08/03 – Dia Internacional da Mulher
15h00 Yoga
16h00 Dança Salão Conceição
17h00 Alongamento
LOCAL: Tenda de eventos – Av. Thomé de Souza, ao lado do Parque Tupiniquins e Forte São João – centro

Pobreza em Santos - SP

Pobreza na Baixada Santista é atestado de incompetência

Pobreza em Santos - SP

O Brasil começou pela Baixada Santista, mas especificamente pelo município de São Vicente.

Colado à São Vicente está o município de Santos, onde fica o Porto de Santos, o primeiro, maior do país e mais movimentado da América Latina.

Um colosso.

Também fica na Baixada o parque industrial de Cubatão, um dos maiores do Brasil.

Além disso, a Baixada Santista possui uma localização privilegiada: coladinha numa das maiores metrópoles do planeta, a cidade mais rica do Brasil: São Paulo.

E os paulistanos amam a Baixada..

Segundo investsantos.com.br, só o município de Santos recebe cerca de 5 milhões de turistas por temporada, que deixam a bagatela de MEIO BILHÃO DE REAIS na cidade.

Não existem dados muito concretos (consolidados) sobre o volume de pessoas em toda a Baixada, desconfio que é para você não se assustar com o lucro das concessionárias (Anchieta e Imigrantes), mas isso é outra história.

O fato é que tanta gente e tanto dinheiro transformaram Santos e Praia Grande nos maiores símbolos da especulação imobiliária no Brasil.

E como se já não bastasse toda essa riqueza, a Bacia de Santos ainda nos deu o Pré – Sal (2010).

Com tanto dinheiro circulando, porque a Baixada Santista sofre?

Tudo isso junto pode nos levar as seguintes perguntas:

Com tanto tempo, tanto dinheiro, como é possível ainda haver pobreza na Baixada?

Como é possível abandonarem São Vicente – SP como se observou nos últimos anos?

Como é possível tanta favela, tanta miséria, tanta insegurança?

A impressão que dá é que a riqueza é muita, mas a distribuição é porca..

.. e o investimento social é nulo, ou muito aquém das possibilidades.. e das obrigações..

E há que se perguntar também: quem é o culpado por essa situação?

Vivemos em uma democracia.. nós escolhemos os gestores..

Afinal de contas, o que estamos fazendo?

Pobreza na Baixada Santista é atestado de incompetência.. nossa incompetência..