Ilha Diana - Santos

Ilha Diana – Santos

Mapa da Ilha Diana - Santos

Ilha Diana é um bairro localizado na parte continental da cidade de Santos, na confluência dos Rios Sandi e Diana (veja o mapa acima), com acesso somente de barco, que sai em vários horários da estação Santos – Vicente de Carvalho, atrás da Alfandega de Santos, junto à Praça da República (Centro).

Símbolo de resistência, é uma das únicas colônias de pescadores ainda existentes na Baixada Santista.

O lugar começou a ser habitado na década de 40, depois da desapropriação da Vila da Bocaina, localizada em Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá.

Seus habitantes deixaram o vilarejo para que fosse construída a pista de pouso da Aeronáutica do Brasil, dando origem à Base Aérea de Santos – BAST.

A fauna e a flora locais constituem-se de espécies típicas de manguezais.

No caso da vegetação, é possível observar o mangue branco e o mangue vermelho e no caso dos animais, uma quantidade – infelizmente já bem reduzida – de espécies de caranguejos, peixes – como robalo, tainha, mero, caratinga e parati, camarões, moluscos – como mexilhões, ostras e mariscos, aves de diversas espécies como garças, guarás, socós, saracuras e colhereiros – e mamíferos como o mão-pelada e a lontra.

Traços da Cultura Caiçara

Apesar da influência dos centros urbanos próximos, a Ilha Diana é um dos raros locais da Baixada Santista onde os traços da cultura caiçara ainda podem ser observados nas técnicas e artefatos utilizados na pesca e no domínio de recursos naturais como o bambu e a madeira que é materializado em objetos, utensílios e artefatos de uso rotineiro.

A esperança que vem com o turismo

Navegar, apreciar a natureza, conhecer a cultura caiçara e comer um prato típico da região.

É possível fazer tudo isso em um único dia na Ilha Diana.

Isolada de centros urbanos, com seus carros, construções e todo tipo de barulho, a “Ilha” é um ambiente de tranquilidade e total simplicidade, com suas casas de madeiras numa região de mangue e restinga, tendo a pesca artesanal como principal fonte de renda e subsistência, conservando os hábitos e a cultura caiçara.

Os moradores “coexistem ao ambiente”, sendo responsáveis por sua conservação (Jornal Santista).

O turismo é provavelmente a última esperança de sobrevivência para a população da ilha, já que a expansão portuária ignorou os impactos ambientais e praticamente acabou com a pesca na região.

Um dos maiores patrimônios históricos da Ilha Diana é a Capela do Bom Jesus de Iguape (que recebeu este nome pelo fato dos primeiros moradores serem naturais de Iguape).

Capela construída pelo esforço coletivo da comunidade, e inerente a sua tradicional festa anual, a “Festa do Bom Jesus”, comemorada no dia 06 de Agosto, que sempre atraiu turistas para a “Ilha”, sendo vital nas atividades econômicas desenvolvidas pelos caiçaras.


(esse vídeo super legal foi feito por esse cara aqui: Wagnão)

Cultura Caiçara

Caiçara

Cultura Caiçara

A Cultura Caiçara é fruto da miscigenação dos índios, e mais tarde dos negros, com os imigrantes europeus.

O termo caiçara tem origem no vocábulo Tupi-Guarani caá-içara que era utilizado para denominar as estacas colocadas em torno das tabas ou aldeias, e o curral feito de galhos de árvores fincados na água para cercar o peixe.

Com o passar do tempo, passou a ser o nome dado às palhoças construídas nas praias para abrigar as canoas e os apetrechos dos pescadores e, mais tarde, para identificar o morador de Cananéia.

Posteriormente, passou a ser o nome dado a todos os indivíduos e comunidades do litoral dos Estados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro (Diegues, 1988).

A cultura caipira formou-se pelo cruzamento do português com o indígena e produziu o mameluco paulista, na qual o caiçara está inserido.

É um caipira do litoral..

O gênero de vida caiçara combina a agricultura de subsistência, baseada na mandioca, com a pesca.

Fandango Caiçara

O Fandango Caiçara é uma expressão musical-coreográfica-poética e festiva, cuja área de ocorrência abrange o litoral sul do estado de São Paulo e o litoral norte do estado do Paraná.

Essa forma de expressão possui uma estrutura bastante complexa e se define em um conjunto de práticas que perpassam o trabalho, o divertimento, a religiosidade, a música e a dança, prestígios e rivalidades, saberes e fazeres.

O Fandango Caiçara se classifica em batido e bailado ou valsado, cujas diferenças se definem pelos instrumentos utilizados, pela estrutura musical, pelos versos e toques.

Nos bailes, como são conhecidos os encontros onde há Fandango, se estabelecem redes de trocas e diálogos entre gerações, intercâmbio de instrumentos, afinações, modas e passos viabilizando a manutenção da memória e da prática das diferentes músicas e danças.

O Fandango Caiçara é uma forma de expressão profundamente enraizada no cotidiano das comunidades caiçaras, um espaço de reiteração de sua identidade e determinante dos padrões de sociabilidade local.

Ensopadinho de Mandi com Pirão

Ensopadinho de Mandi com Pirão

Ensopadinho de Mandi

Como um monte de primeiras coisas e momentos em nossas vidas, o primeiro peixe a gente também não esquece. Comigo foi assim, um momento mágico, fantástico! Eu devia ter uns 8 ou 9 anos, estava sozinho sentado dentro de uma canoa apoitada na baixada do mercado em Iguape/SP, onde passávamos as férias. Joguei na água minha linhada de mão, que tio Dito Lula e meu pai entralharam para mim, e uns 2 minutos depois… Tchum! Aquele puxão forte! Tomei um danado dum susto… Foi um “Meu Bom Jesus!” seguido de uma alegria incontida e lá estava eu, com o coração quase saindo pela boca, meio afobado, recolhendo a linha que trazia no anzol um mandi de uns dois palmos, minha primeira pesca, meu primeiro peixe.

Fiquei tão feliz, tão maravilhado, ali sozinho naquela canoa, na beira do mar pequeno, de frente pro pirizal, que peguei minhas tralhas, meu “peixão” e fui embora para casa daquele jeito, de moleque, sabe? Meio correndo, meio andando, meio pulando com o meu mandi ainda pendurado no anzol. É desses momentos simples cheios de significado e alma que somos feitos, não é mesmo? Dá para esquecer?

O Mandi

A palavra mandi vem do tupi mãdi’i e é o nome dado a diversos peixes de couro da espécie pimelodus, como o mandi amarelo, o mandi chorão e o mandi tinga encontrados em importantes bacias hidrográficas do nordeste, do sul e do sudeste do Brasil, como a Bacia Amazônica, a do Araguaia-Tocantins, a do São Francisco, a do Prata e a do Ribeira de Iguape, onde podem ser encontrados nadando próximos ao fundo, na beira dos rios, em poços, remansos e boca de riachos.

Primo menor dos grandes bagres siluros como a pirara e o pintado, o mandi pode alcançar até 40 cm de comprimento e pesar até 3 Kg. Alimenta-se de tudo, é então onívoro, preferindo larvas de insetos, algas, moluscos, pequenos peixes e fragmentos de vegetais. Sua carne é clara e de sabor muito suave.

RECEITA
Facílimo | de 4 a 6 Porções | Uns 40 minutos

INGREDIENTES

  • 2 ou 3 mandis de bom tamanho
  • 4 tomates maduros, sem pele nem sementes, picados
  • 2 colheres de (sopa) de óleo
  • 2 dentes de alho amassados
  • 2 cebolas picadas
  • 1 punhado de alfavaca e cheiro verde picados
  • Suco de 1 limão
  • Sal a gosto
  • Farinha de mandioca artesanal

Dica: Quer deixar o negócio chique e mais irresistível ainda? Acrescente alguns pitus.

Você Vai Precisar

  • Duas panelas médias com tampa.
  • Um coador ou peneira.

PREPARO

“Conserte” (limpe) os mandis e lave-os bem, por dentro e por fora. Tempere-os com o suco de limão, o sal e deixe tomar gosto por uma meia hora.

Importante: Como com qualquer bagre, tome cuidados com as esporas das nadadeiras dorsais e lombar do mandi na hora de limpá-los. Estas esporas tem um serrilhado invertido que é fácil de entrar e difícil de sai da pele, além de possuírem toxinas e bactérias que causam muita dor caso você se machuque com elas.

Corte os peixes em postas e reserve as cabeças para fazer o pirão.

Em uma panela aqueça o óleo e refogue a cebola e o alho. Junte os tomates picados, a alfavaca e o cheiro verde e refogue mais um pouco.

Importante: Retire um pouco deste refogado e reserve para usá-lo no cozimento das cabeças para o pirão. Preste atenção!

Quando os sabores do refogado forem liberados, coloque o peixe e misture com cuidado.

Quando o peixe estiver começando a embranquecer, acrescente um pouco de água, baixe o fogo, tampe a panela e deixe a coisa acontecer.

Enquanto o peixe cozinha, em outra panela coloque as cabeças com um pouco do refogado que você reservou anteriormente. Reservou mesmo, né? Coloque água, acerte o sal e deixe cozinhar.

Bom, neste momento você tem duas panelas no fogo, então preste atenção:

  1. Verifique de tempos em tempos se o peixe já está cozido, estando tudo beleza, desligue o fogo e reserve.
  2. Quando o cozido das cabeças do mandi fizer um caldo saboroso, desligue o fogo, acerte o sal, se você quiser acrescente aquela sua pimentinha e misture tudo. Coe o caldo e vá juntando farinha de mandioca aos poucos até dar ao pirão uma consistência mole e reserve.

Sirva o ensopadinho de mandi, com o pirão á parte, acompanhado de um arroz branco fresquinho e uma saladinha bacana.