Ilha Diana - Santos

Ilha Diana – Santos

Mapa da Ilha Diana - Santos

Ilha Diana é um bairro localizado na parte continental da cidade de Santos, na confluência dos Rios Sandi e Diana (veja o mapa acima), com acesso somente de barco, que sai em vários horários da estação Santos – Vicente de Carvalho, atrás da Alfandega de Santos, junto à Praça da República (Centro).

Símbolo de resistência, é uma das únicas colônias de pescadores ainda existentes na Baixada Santista.

O lugar começou a ser habitado na década de 40, depois da desapropriação da Vila da Bocaina, localizada em Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá.

Seus habitantes deixaram o vilarejo para que fosse construída a pista de pouso da Aeronáutica do Brasil, dando origem à Base Aérea de Santos – BAST.

A fauna e a flora locais constituem-se de espécies típicas de manguezais.

No caso da vegetação, é possível observar o mangue branco e o mangue vermelho e no caso dos animais, uma quantidade – infelizmente já bem reduzida – de espécies de caranguejos, peixes – como robalo, tainha, mero, caratinga e parati, camarões, moluscos – como mexilhões, ostras e mariscos, aves de diversas espécies como garças, guarás, socós, saracuras e colhereiros – e mamíferos como o mão-pelada e a lontra.

Traços da Cultura Caiçara

Apesar da influência dos centros urbanos próximos, a Ilha Diana é um dos raros locais da Baixada Santista onde os traços da cultura caiçara ainda podem ser observados nas técnicas e artefatos utilizados na pesca e no domínio de recursos naturais como o bambu e a madeira que é materializado em objetos, utensílios e artefatos de uso rotineiro.

A esperança que vem com o turismo

Navegar, apreciar a natureza, conhecer a cultura caiçara e comer um prato típico da região.

É possível fazer tudo isso em um único dia na Ilha Diana.

Isolada de centros urbanos, com seus carros, construções e todo tipo de barulho, a “Ilha” é um ambiente de tranquilidade e total simplicidade, com suas casas de madeiras numa região de mangue e restinga, tendo a pesca artesanal como principal fonte de renda e subsistência, conservando os hábitos e a cultura caiçara.

Os moradores “coexistem ao ambiente”, sendo responsáveis por sua conservação (Jornal Santista).

O turismo é provavelmente a última esperança de sobrevivência para a população da ilha, já que a expansão portuária ignorou os impactos ambientais e praticamente acabou com a pesca na região.

Um dos maiores patrimônios históricos da Ilha Diana é a Capela do Bom Jesus de Iguape (que recebeu este nome pelo fato dos primeiros moradores serem naturais de Iguape).

Capela construída pelo esforço coletivo da comunidade, e inerente a sua tradicional festa anual, a “Festa do Bom Jesus”, comemorada no dia 06 de Agosto, que sempre atraiu turistas para a “Ilha”, sendo vital nas atividades econômicas desenvolvidas pelos caiçaras.


(esse vídeo super legal foi feito por esse cara aqui: Wagnão)

Santos no Século XVIII

História de Santos, de Vila à Cidade

Santos no Século XVIII

Na sua edição especial de 26 de janeiro de 1939, comemorativa do centenário da elevação de Santos à categoria de cidade – exemplar no acervo do historiador Waldir Rueda – o jornal santista A Tribuna publicou esta matéria:

Santos e a Civilização Brasileira

História breve dos fatos principais da Vila e Cidade, em seu desenvolvimento, entre os anos de 1550 e 1938

Em 1550, chegava ao termo da Vila o enviado de el-rei D. João, o provedor-mor Antonio Cardoso de Barros, o qual, após ter fundado no ano anterior a Alfândega da Bahia, e a Alfândega Seca de S. Vicente, vinha instalar a Alfândega de Santos, o que fez, entregando o provimento da mesma a Braz Cubas, tornado então, e confirmado em 1551, provedor da Fazenda Real da Capitania de São Vicente.

A 8 de fevereiro de 1552, chegava a Santos o governador geral Tomé de Sousa, aprovando, então, o foral de vila dado a Santos seis anos antes por Braz Cubas.

Em março de 1560 dava-se a chegada de Mem de Sá, que lhe construiu um forte perto da Casa do Conselho, denominado Forte da Vila, e mais tarde “da Praça” e “do Monte Serrate”, passando ao planalto, onde extinguiu a Vila de Santo André da Borda do Campo e oficializou a de S. Paulo de Piratininga.

Confederação dos Tamoios

Em 1563 anunciava-se a famosa Confederação dos Tamoios, que era a reunião de cerca de 10.000 guerreiros tamoios, resolvidos a liquidar Santos, São Vicente e S. Paulo. De Santos saíram, então, José Adorno com gente sua e embarcações de sua propriedade, levando os padres Manoel da Nóbrega e José de Anchieta, resultando daí o afastamento do perigo, com as pazes entre tamoios e portugueses e a realização do histórico armistício de Yperoig.

Em 1565, confirmando o socorro dado a Estácio de Sá no ano anterior, deu Santos ao mesmo valoroso comandante novo socorro de gente, armas, munições, embarcações e mantimentos, seguindo José Adorno e seu administrador Heleodoro Eoban Pereira, à testa de um corpo de combatentes, e mais, Manoel da Nóbrega, José de Anchieta, Gonçalo de Oliveira e Pedro Martins Namorado, contra a gente de Villegaignon e tamoios aliados, conseguindo desalojá-los e expulsá-los da Guanabara, fundando a cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro, a 20 de janeiro de 1567.

Durante o socorro de Santos ao Rio de Janeiro, foi a Vila invadida pelos tamoios de Ubatuba, e, desamparada como estava pela sua melhor gente, quase foi destruída, salvando-se pela astúcia de um índio negro, cujo nome não ficou na história.

Em 1583 era Santos invadida pela gente de Edward Fenton, comandante inglês, que, sabendo estarem os habitantes descontentes com o domínio espanhol, pretendeu com astúcias e engodos obter a adesão dos santistas à ideia do domínio inglês. Com a chegada da esquadra do almirante castelhano Diogo de Valdez, travou-se combate encarniçado entre os espanhóis auxiliados pela guarnição e pelo povo da vila e os marinheiros de Fenton, que terminou com a expulsão dos intrusos, o afundamento de sua nau capitânia e o apresamento de muita arma e munição, que serviu para instalação da Fortaleza de Barra Grande, logo a seguir.

Em 1585, instalava-se em Santos o famoso Colégio dos Jesuítas, que tantas luzes lançaria no campo intelectual da colônia e da vila.

Em 1590, é Santos novamente invadida, e desta vez pelos corsários de Cook e Cawendish, que a ocuparam durante quase um mês, depredando-a, saqueando-a e prejudicando seus papéis e arquivos, com os incêndios efetuados, o desaparecimento do Livro do Tombo etc.

Em 1591 voltou Cawendish a Santos, mas, desta vez, prevenida a população, foram os piratas repelidos e morta uma parte de sua gente.

Em 1614 verifica-se a invasão do almirante Joris Van Spilbergen, com seis naus de guerra, tendo os santistas repelido, após muitos dias de combate, com o auxílio de Amador Bueno e Lourenço Castanho, Tacques, as tropas invasoras, que pretendiam começar o domínio holandês tentado depois com êxito na Bahia.

Santos em auxílio da Bahia

Cerca de 1640, atendendo aos insistentes pedidos de socorro, lançados pelos baianos aos paulistas, organizou-se em Santos uma grande legião de índios brasileiros e portugueses, que, reunida à tropa descida de São Paulo, um batalhão de duzentos paulistas e trezentos sagitários, partiu para a Bahia, sob o comando do capitão Luís Pedroso de Barros, D. Francisco Rendon de Quebedo, Diogo da Costa Tavares, Manoel Fernandes Abreu, João Paes Florião e Antonio Raposo Tavares. Com a retirada de D. Francisco de Quebedo operada no Rio de Janeiro, passou Antonio Raposo Tavares para a chefia da tropa, e sob seu comando, cumpriu a gente de Santos e São Paulo o seu espontâneo dever, em largos anos de guerras e trabalhos.

Em 1642, 1646 e 1647, novas forças foram enviadas de Santos para o mesmo destino. Em 1647, ao passo que uma bandeira de 200 homens de guerra e outros tantos índios seguia por terra, num feito extraordinário e sem precedentes, rumo da Bahia, outra coluna de 2.200 homens, índios, paulistas e portugueses, seguia por mar, em naus, galeras e bergantins, levando precioso auxílio aos baianos, que puderam dentro de pouco tempo vencer a pressão dos holandeses, e expulsar os batavos do solo brasileiro.

Gente santista para o Prata

Em 1679, chegando a Santos o tenente-general Jorge Soares de Macedo, com ordens de D. Rodrigo de Castello Branco, pouco depois lhe fornecia a gente santista um corpo de 200 flecheiros e 300 homens de guerra, para uma jornada ao Rio da Prata, onde os espanhóis perturbavam a paz do Sul do Brasil, ameaçando ocupar a atual região do Rio Grande, a fim de desalojá-los e prosseguir caminho, no descobrimento de prata e ouro.

Em 1683, estourava em Santos a revolta do “viva o povo e morra o mau governo”, em consequência do mesmo movimento estalado em São Paulo, e dada a justiça da causa dos paulistas.

A expedição Ducler

Em 1710 chegava a Santos, com propósitos de invadi-la, Francisco Ducler, o infortunado comandante francês, que, repelido, rumou para o Rio de Janeiro, onde, após rudes combates, conseguiu penetrar, sendo por fim envolvido e aprisionado. Quando de sua chegada a Santos foram repelidos porque os santistas, sabedores da aproximação dos franceses, puderam obter a tempo o auxílio de Amador Bueno da Veiga, Domingos Fernandes Pinto e mestre de campo Domingos da Silva Bueno, e dos notáveis sertanistas.

Contra o monopólio do sal

Nesse mesmo ano, era a vila santista invadida por Bartolomeu Fernandes Faria, à frente de fortíssimo corpo de 200 homens de guerra e 600 índios carijós, e aí, apesar de ser uma praça fortificada, com 4 companhias de infantaria paga, sob o governo do mestre de campo José Monteiro de Matos, não pôde resistir à gente de Bartolomeu Fernandes, chegada de surpresa.

Bartolomeu, entretanto, não vinha fazer mal a ninguém, vinha apenas dar uma lição ao governo da metrópole e aos gananciosos do comércio do sal, que, valendo-se de um monopólio odioso e com os armazéns transbordantes do precioso elemento, protegidos pela política do reino, exploravam os compradores locais e de serra acima, cobrando preços verdadeiramente absurdos pelo fornecimento desse sal.

Bartolomeu tomou tais armazéns, tirou toda a quantidade de que precisava, pagou-a ao preço anterior, que era o justo e devido, sem fazer o menor mal ao respectivo contratador, retirando-se em seguida, pelo mesmo caminho, a rumo da serra.

Equiparação da Alfândega santista à do Rio

Em 1720, era a Alfândega de Santos equiparada à do Rio de Janeiro, fato esse conhecido em Santos somente alguns meses depois.

Em 1765, era feito o primeiro recenseamento santista, por ordem de D. Luís Antonio de Sousa Botelho Mourão, verificando-se que Santos tinha uma população de apenas 2.081 habitantes, sendo 942 homens e 1.139 mulheres, sendo a maior fortuna da vila a do sargento-mor João Ferreira de Oliveira, no valor de 16 contos de réis.

Em socorro do Rio Grande do Sul

Em 1766, os espanhóis invadiam novamente o Rio Grande do Sul, e o governador da praça santista organizou, no termo da vila e redondezas, quatro companhias de aventureiros, sob o comando do sargento-mor José da Silva Santos, enviando-as em socorro daquela região brasileira.

Em 1774, perduravam ainda os acontecimentos do Rio Grande, e mais quatro companhias de dragões paulistas embarcavam em Santos, reforçadas com voluntários locais, para o mesmo destino e mesmo fim.

Em 1776 seguiam as últimas forças enviadas de Santos para o campo de operações do Sul. Eram tropas regulares. Um regimento de infantaria da guarnição da praça, que tomou o nome de seu comandante, o coronel Manoel Mexia Leite, sente que, em regra geral, não recebia soldo havia dez a quinze anos, e alguns, mais desfavorecidos, havia trinta anos.

Essa força retornou em 1780 a Santos, com o resto das expedições anteriores, depois de lutas que duraram tantos anos e que terminaram com a expulsão completa e definitiva dos castelhanos.

Os serviços postais e a iluminação

Em 1798 aparecia o primeiro correio entre Santos, São Paulo e Rio de Janeiro, criado pelo capitão-general Antonio Manoel de Mello Castro e Mendonça.

Logo a seguir, em 1800, a 14 de outubro, o mesmo capitão-general estabelecia novas linhas postais entre S. Paulo, Itu, Paranaguá e S. Sebastião, ligando Santos a todos esses pontos da Capitania.

Em 1810, a 17 de janeiro, era expedido regulamento para a primeira iluminação de Santos, com 69 lampiões de azeite de baleia.

Na campanha de Montevidéu

Em 1811 e 1812 pronunciava-se a Campanha de Montevidéu, e novamente Santos era chamada a participar das forças brasileiras enviadas para aquela campanha. Várias unidades regulares e irregulares seguiram de Santos, sob o comando de várias patentes, incluindo o sargento-mor e futuro brigadeiro e marechal, Joaquim Mariano Galvão de Moura Lacerda, o tenente de artilharia, futuro marechal João Olyntho de Carvalho e Silva, o capitão e também futuro marechal de campo José Olintho de Carvalho e Silva, além de outros de menor patente.

No recenseamento de 1814

Em 1814, novo recenseamento era feito em Santos, e a vila aparecia, então, com uma população de 5.128 habitantes, sendo 1.319 homens, 1.674 mulheres e 2.135 escravos, com 691 casas, divididas por 15 ruas e praças.

Entre esses habitantes, existiam 10 alfaiates, 1 boticário, 6 botequineiros, 2 barbeiros, 4 calafates, 17 carpinteiros, 9 ferreiros, 4 frades, 76 lavradores, 2 médicos (do presídio), 1 mestre de primeiras letras (régio), 2 marceneiros, 2 músicos, 77 negocianes, 5 ourives, 1 tabelião, 8 sacerdotes, 3 pintores, 24 sapateiros, 1 tanoeiro, 1 tamanqueiro, 8 padeiros, 1 paleiro e 1 pasteleiro.

Novas operações militares

Em 1816 e 1817, novas ações militares brasileiras, na fronteira do Rio Pardo, levavam novas forças de Santos, e novamente soldados e comandantes santistas eram chamados a intervir em favor da pátria ameaçada, sendo o tenente-coronel Joaquim Mariano Galvão de Moura Lacerda, sub-comandante dos combates de Cassumbé, em outubro de 1816, e da batalha da Catalã, em janeiro de 1817, e bem assim o então capitão José Olintho de Carvalho e Silva, voltando ambos a Santos, com as forças vitoriosas do Brasil, somente no ano de 1821, após cinco anos de guerras.

Em 1816, operava-se novo recenseamento em Santos, aparecendo a vila com mais 248 homens livres e 82 escravos a menos que o recenseamento anterior, efetuado em 1814.

A revolta de Francisco das Chagas

Em 1821 estourava em Santos, em junho, a famosa Revolta do Francisco das Chagas, fruto do preparo civil da mentalidade separatista de Santos. Esta revolta deu início aos acontecimentos políticos militares de S. Paulo, que, em articulação com os Andradas, originaram a precipitação e a realização da Independência, em que apareciam, como responsáveis diretos e indiretos, muitos cidadãos santistas.

A proclamação da Independência

Em 1822, a 3 de setembro, chegava a Santos o príncipe imperial regente, que José Bonifácio, em combinação com a princesa D. Leopoldina, Martim Francisco e quase todo o ministério sob sua chefia, deslocara para S. Paulo, a fim de embeber-se do espírito independentista dos paulistas.

Em Santos, convenceu-se D. Pedro da fidelidade e do estado das tropas e das fortalezas de Santos, como já se certificara da realidade militar e cívica de toda a província, proclamando, dois dias após sua saída de Santos, a Independência brasileira, no alto da colina do Ipiranga. Santos concorrera como sempre, para o bem do Brasil, ajudando, melhor do que nenhuma outra cidade talvez, a grande obra de sua separação política (N.E.: o autor se equivocou nas datas, D. Pedro na verdade chegou a Santos na tarde do dia 5 e saiu no alvorecer do próprio dia 7 em que proclamaria a Independência).

Novos recenseamentos e o caminho do mar

Nesse ano de 1822, novo recenseamento foi realizado em Santos, bem detalhado e completo. Viu-se que a vila possuía 4.781 habitantes, dos quais 2.489 homens e 2.292 mulheres, sendo 2.696 livres e 2.085 escravizados. Compunha-se Santos de vinte ruas e praças.

Em 1827, a 17 de fevereiro, inaugurava-se a estrada de rodagem de Santos ao Cubatão, completando o Caminho do Mar, sobre o grande aterrado dirigido e efetuado pelo notável engenheiro cel. Daniel Pedro Muller, cessando desde então o tráfego de canoas e outras embarcações do Cubatão para Santos, baldeando a carga trazida do planalto.

Em 1828 realizava-se novo recenseamento. Santos aparecia com 5.142 habitantes.

Primeira Câmara e juizados de paz

Em 1829, verifica-se a eleição da primeira Câmara Municipal do Império, denominada Câmara dos Padres, por conter quatro sacerdotes (N.E.: entenda-se como primeira de Santos no tempo do Império).

Nesse mesmo ano, a 1º de dezembro, promulgava-se a lei, criando em Santos os juizados de paz, como de resto em toda a província, tendo sido nomeado primeiro juiz de paz aqui, o capitão João Baptista Rodrigues da Silva, e o segundo, anos depois, Barnabé Francisco Vaz de Carvalhaes, proprietário da ilha que hoje tem o seu nome.

Em 1836, a 4 de setembro, inaugurava-se o terceiro Hospital definitivo da Misericórdia, junto ao Monte Serrate, sendo seu realizador o cap. Antonio Martins dos Santos, provedor de 1835 a 1836, inaugurando-o, todavia, o novo provedor de 1836 a 1839, cons. Cláudio Luís da Costa.

“O Rancho Grande e o Hospital da Misericórdia, tomados no ano de 1839, exatamente há cem anos, quando se deu a elevação de Santos à categoria de cidade”

Elevação de Santos à categoria de cidade

Em 1839, a 26 de janeiro, verifica-se a elevação de Santos à categoria de cidade, em homenagem à memória de José Bonifácio de Andrada e Silva, falecido no ano anterior, sendo a comunicação recebida somente a 26 de fevereiro seguinte, e aí comemorada com grandes festas e intenso júbilo.

Em 1840 verificava-se a nova iluminação pública, expedindo o desembargador Manoel Machado Nunes, presidente da província, o novo regulamento, que dotava Santos de 60 lampiões de quatro luzes, ainda a azeite.

Em 1846 Santos era visitada pelos imperadores D. Pedro II e D. Thereza Christina.

Criação da Capitania dos Portos – Em 1847, a 11 de setembro, era criada pelo governo a Capitania dos Portos de S. Paulo, em Santos, por decreto n. 531 daquela data.

Em 1848 aparecia, a 2 de setembro, o primeiro número da Revista Commercial, o primeiro jornal impresso que circulou em Santos.

Em 1854, novo recenseamento se processava em Santos, já então cidade, verificando-se uma população de 7.855 habitantes, dos quais 4.199 eram homens e 3.656 mulheres; nacionais 7.145 e estrangeiros 710.

A 21 de agosto de 1859 fundava-se em Santos a Sociedade Portuguesa de Beneficência. A primeira pedra do hospital próprio foi lançada a 12 de abril, mas o hospital só foi inaugurado dez anos depois, a 6 de janeiro de 1878.

A 24 de novembro de 1860 realizavam-se em Santos os primeiros trabalhos para instalação da Estrada de Ferro Inglesa, que só se inaugurou sete anos depois, a 16 de fevereiro de 1867.

Santos na Guerra do Paraguai

Em 1865 pronunciava-se a Guerra do Paraguai, e Santos, como sempre, movimentou-se, transformando-se em praça militar, recebendo grandes contingentes de S. Paulo e do interior, engrossando-os com seus voluntários, sendo suas tropas regulares e seus recrutas, além de alguns oficiais que se evidenciaram naquela campanha, como o depois general Affonso Pinto de Oliveira, o tenente Campos Mello, o futuro marechal João José da Luz, o também futuro marechal Pêgo Júnior, o cel. Joaquim Antonio Dias, o brigadeiro José Ferreira (morto em combate na passagem de Itororó) e o tenente José Ricardo da Costa Aguiar, oficial da marinha (também morto em combate em Riachuelo).

Em 1868 foi feito o primeiro serviço de águas para abastecimento da cidade, ao mesmo tempo da primeira iluminação a gás, serviços inaugurados, porém, dois ou três anos depois.

Fundação da Associação Comercial

A 17 de setembro de 1874 fundava-se e instalava-se em Santos a Associação Comercial, então a “Praça do Café”, resultado dos esforços do com. Ferreira da Silva, do Visconde de Embaré, do Visconde de Vergueiro, do dr. Ignácio Wallace da Gama Cochrane, do comm. João Alfaya Rodrigues, Azurém Costa, Henrique Leuban e mais alguns.

Em 1871 foi feito o penúltimo recenseamento santista, ao tempo do Império. Santos tinha 9.191 habitantes e 1.382 prédios; 7.585 eram livres e 1.506 escravos.

Em 1872 inaugurava-se a primeira linha de bondes de burro estabelecida na cidade, a 7 de setembro, ligando a cidade ao Boqueirão.

Em 1874 a população santista é atacada pela febre amarela e pela varíola, principalmente por esta última, figurando entre as vítimas notáveis Xavier da Silveira, santista ilustre.

Em 1876 construía-se a nova Alfândega, sobre a velha, sendo as obras fiscalizadas pelo dr. Garcia Redondo.

Nesse mesmo ano, realiza-se a 2ª visita da família imperial a Santos. Já o sentimento republicano começava a se alastrar na cidade, ao mesmo tempo dos primeiros movimentos abolicionistas.

Abolicionismo e republicanismo

Em 1882, intensa e enorme era a contribuição de Santos em favor dos ideais da Abolição e da República, fundando-se nesse mesmo ano o Jabaquara, famoso reduto armado, onde se acoutavam em 1888 alguns milhares de negros, arrancados ao cativeiro pela gente de Santos e tornados livres.

Em 1884 verificava-se em Santos o motim popular conhecido como o Quebra-lampiões, levantando-se o povo contra a Cia. que explorava os serviços de bondes, água e luz, quebrando todos os lampiões e atirando os bondes ao mar.

A 27 de fevereiro de 1886, celebrava-se a extinção completa da escravidão em Santos e São Vicente, fundando-se uma associação que tomou o nome da data, 27 de Fevereiro, destinada a resgatar e livrar escravos das vizinhanças ou que passassem pelo porto.

Em 1886 realizava-se o último recenseamento do Império. Santos apresentava uma população de 15.605 habitantes.

A abolição em 1888 e a concessão do cais

A 13 de maio de 1888, verificava-se a Lei Áurea, e Santos, que formara na vanguarda das cidades abolicionistas, promoveu oito dias de festas, em que o trabalho ficou inteiramente suspenso para todos, não se cogitando de outra coisa, senão das comemorações de um povo que lutara e sofrera para o Brasil chegar a tal resultado.

Nesse mesmo ano de 1888, assinava-se o contrato para a construção do cais de Santos, sendo suas primeiras obras iniciadas quase ao fim desse ano e princípios de 1889, partindo do antigo Arsenal.

Proclamação da República

A 15 de novembro de 1889 verificava-se a grande passagem da Proclamação da República, e novamente Santos se engalanava, vendo vencer um ideal, que a melhor parte do seu povo defendera durante muitos anos, sofrendo e lutando por ele.

Em 1890 realizava-se o primeiro recenseamento da República, aparecendo Santos com a população de 13.012 habitantes, ou seja, 3.000 almas a menos do que o último realizado 4 anos atrás, o que se atribuiu à grande epidemia de febre amarela de 1889, que dizimara a população local e afugentara muita gente.

Em 1893 verificava-se a Revolta da Armada, agitava-se novamente Santos, dividida em dois campos, pró e contra Floriano, transformando-se em praça de guerra, com fortalezas e baterias alertas, lutas internas, perseguições, prisões etc.

Em 1894 promulgava-se a primeira Constituição Municipal, assinando-a: dr. Manoel Maria Tourinho, José Caetano Munhoz, Alexandre José de Mello Júnior, José André do Sacramento Macuco, Alberto Veiga, Antonio Manoel Fernandes, João Braz de Azevedo, Antonio Vieira de Azevedo e Augusto Filgueiras.

Santos no século XX

Em 1900 realizava-se o segundo recenseamento municipal. Santos aparecia com uma população de 50.389 almas. Em 1901 já contava 52.000 e cerca de 5.000 casas, e atravessava então sua grande fase de expansão.

Em 1913 operava-se novo recenseamento, dividindo-se a cidade em 8 distritos. Em 1914, a 7 de maio, proclamava-se uma população de 88.967 almas.

Em 1918, essa população já era de 100.000 almas, com dez mil prédios. Nesse ano, é a cidade assolada pela “espanhola”, a terrível epidemia de gripe, que matou milhares de pessoas.

A 26 de dezembro de 1926 fundava-se em Santos sua primeira Estação Rádio Transmissora, o “Rádio Clube de Santos” – P.R.B.4.

Em outubro de 1930 atravessou Santos um período agitado com a vitória da revolução de 3 de outubro, chefiada pelo sr. Getúlio Vargas, assistindo-se a correrias populares, incêndios, empastelamentos etc.

Em 1932 verificava-se em S. Paulo a Revolução Constitucionalista. Santos agitou-se, e aderindo quase inteiramente ao grande movimento cívico, deu cerca de 5.000 soldados regulares e irregulares, e milhares de contos de réis em jóias e donativos de toda ordem, perdendo 36 filhos em campanha.

Em 1934 inaugurava-se em Santos a segunda Estação Rádio Transmissora, a “Rádio Atlântica de Santos” – P.R.G.5.

A 25 de março de 1936 realizavam-se as primeiras eleições municipais, após o evento revolucionário de 1930.

A 10 de novembro de 1938, era dissolvida a Câmara Municipal de Santos, eleita em 1936, por força do golpe de Estado do presidente Vargas.

Fonte: Jornalista Carlos Pimentel Mendes, do Novo Milênio
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O que é TTI – Técnico em Transações Imobiliárias

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O curso Técnico em Transações Imobiliárias – TTI – é o curso que forma Corretores de Imóveis.

É o começo de uma caminhada, o primeiro passo dentro da intermediação imobiliária.

Até 1978, para se tornar Corretor de Imóveis bastava se inscrever no Conselho Regional de Corretores de Imóveis – CRECI da sua região.

Daquela data em diante, tornou-se obrigatória a formação Técnica em Transações Imobiliárias, que, por sua vez, tem como pré-requisito básico o Ensino Médio completo.

De uma maneira geral, os cursos de TTI demandam cerca de 1 ano letivo, e dão uma “repassada” em conteúdos de matemática, português, Economia, Direito, Marketing, etc..

Por favor, não entenda como demérito dizer que os cursos apenas dão uma “repassada” nos conteúdos.

É o que dá prá fazer..

.. provavelmente você levaria anos, só para entender profundamente o Direito Imobiliário, e o curso TTI faz isso em alguns finais de semana..

Por conta desse aspecto escrevi esse artigo: Qual o melhor Curso de Corretor de Imóveis na Baixada Santista.

Porém, o fato mais relevante no tocante à formação profissional de corretores e corretoras de imóveis, é que o mercado quer muito mais do que só uma “formação em TTI”.

Muito além do TTI

O mercado imobiliário está deprimido. Para mais informações, leia esse artigo: O futuro do mercado imobiliário na Baixada Santista.

E nesse contexto, existe uma enorme insegurança para compra e venda de imóveis.

Razão pela qual o mercado “trava”: ninguém compra, ninguém vende..

É muito difícil para as pessoas se adaptarem a uma nova realidade, sobretudo quando falamos de imóveis, ativo supostamente estável.

Sem falar na existência de uma gigantesca propaganda alienante que mascara a realidade.

Neste contexto, para você convencer uma pessoa de que o apartamento dela de 3 qts, sala, cozinha, NÃO vale R$ 1 milhão, e sim R$ 300 mil, você precisa estar muito preparado(a).

Para você convencer uma pessoa a investir seus únicos R$ 500 mil em um imóvel qualquer, você precisa estar muito preparado(a).

Você vai ter que ir muito além do TTI..

Por isso eu chamei o curso de “ponta pé inicial” da carreira de Corretor de Imóveis.

Uma carreira que vai te exigir formação contínua..

Povoado de Santos

História de Santos, de Povoado à Vila

Povoado de Santos

Na sua edição especial de 26 de janeiro de 1939, comemorativa do centenário da elevação de Santos à categoria de cidade – exemplar no acervo do historiador Waldir Rueda – o jornal santista A Tribuna publicou esta matéria:

Primórdios da cidade hoje centenária

Início da povoação de Santos e seus continuadores até sua elevação a vila, de 1532 a 1546

Santos não teve, propriamente, uma fundação, porque o seu aparecimento não foi pré deliberado, como aconteceu com tantas cidades de hoje, nem sua existência dependeu ou começou do Hospital (Misericórdia), fundado em 1542, como erroneamente se considerou durante muitos anos, por falta de um estudo aprofundado.

O aparecimento da História de Santos, do santista Francisco Martins dos Santos, obra apreciada por Taunay, Pedro Calmon, Baptista Pereira, Max Flaiuss, conde de Affonso Celso, Evaristo de Moraes, Tristão de Athayde, Ulysses Paranhos, Instituto Histórico da Bahia, Instituto Histórico do Espírito Santo e pela Câmara de Santos de 1937 e tantas outras autoridades, veio trazer luz definitiva ao caso, mostrando, antes de mais nada, que o Hospital da Misericórdia era uma consequência do povoado formado em dez anos e não o contrário.

A verdade, pois, já consagrada pelos que, modernamente melhor podem proclamá-la, é que, ao chegar Martim Afonso de Sousa à região, no ano de 1532, antes mesmo de preocupar-se com a criação da Vila de S. Vicente, seu primeiro cuidado foi distribuir entre os homens que trazia, “de acordo com os seus merecimentos e nobreza”, na forma das ordenações reais, as terras vicentinas (principalmente as da atual Santos, como se viu depois).

Foi assim que, naquele mesmo ano da chegada, 1532, estabeleceram-se no lugar denominado Enguaguaçu (por ficar junto à enseada de tal nome), os colonizadores Paschoal Fernandes, Domingos Pires, Braz Cubas, Luís de Góes, José e Francisco Adorno e Mestre Bartholomeu Fernandes Gonçalves; José e Francisco Adorno, nobres genoveses, e os demais todos portugueses.

O lugar era excelente, porque possuía boas águas, nascidas dos morros adjacentes (atuais Monte Serrate, Fontana, S. Bento, Penha etc.), boas terras para o plantio de cana-de-açúcar, era abrigado dos índios, por ser isolado das grandes matas pelo colar marítimo, e possuía excelente porto para embarcações de todo vulto.

Assim, Luís de Góes estabeleceu-se junto ao outeiro de Santa Catarina; Paschoal Fernandes e Domingos Pires, em sociedade, estabeleceram-se junto à Fonte do Itororó; Braz Cubas estabeleceu-se junto ao Monte Serrate, ao sopé da baixada que este faz para ligar-se ao do Fontana (nomes atuais); mestre Bartholomeu estabeleceu-se junto ao morro de São Bento, todos com roças de cana de açúcar; e, finalmente, os dois irmãos José e Francisco Adorno, que já tinham estado na ilha da Madeira entre os usineiros de açúcar, estabeleceram-se ao centro da várzea, junto ao rio São Jerônimo (altura da atual Praça Rui Barbosa), com o grande Engenho de São João, que em 1533 estava funcionando.

O povoamento de Santos – a secundar o trabalho destes colonizadores, aparece, como ocupantes da atual ilha Barnabé, naquele mesmo ano de 1532, o português Henrique Montes, que viera como prático da Armada de Martim Afonso, como ocupante do atual Itapema, o nobre Jorge Ferreira (mais tarde genro de João Ramalho), e como ocupante do sítio das Neves, em frente ao atual Valongo, o nobre Pero de Góes, irmão de Luís de Góes, com o grande Engenho da Madre de Deus com capela na mesma invocação, engenho esse que foi o primeiro da Capitania. Mais adiante, ocupando as terras do atual Cubatão, apareciam Francisco e Ruy Pinto, nobres portugueses, pai e filho.

Estes foram em 1532 e 1533 o primeiro e segundo planos do povoamento santista, coincidindo-se, daí, que, por força da lavoura e da indústria localizadas no ponto mais oriental da ilha de São Vicente, o lugar onde surgiu Santos, teria de 1532 a 1533 cerca de vinte ou trinta pequenas casas e ranchos e uma população (de senhores e agregados) de mais ou menos oitenta indivíduos, entre os quais os nobres apontados, seus colonos, artífices pedreiros, carpinteiros e ferreiros (trazidos na Armada), e, certamente, alguns homens de armas para sua garantia (dos muitos que trouxera Martim Afonso, como se sabe).

Esse foi, pois, indiscutivelmente, o início de Santos, ou seja o Povoado de Enguaguaçu, a que ligeiramente aludiu o Auto de Posse de Braz Cubas, de 1540, pouco depois, em 1541, denominado Porto de São Vicente, com a transferência oficial do fundeadouro antigo da Ponta da Praia (N.E.: na época em que este artigo foi publicado, acreditava-se que o primitivo fundeadouro vicentino fosse na Ponta da Praia, e não do outro lado da ilha, junto ao povoado de São Vicente, como foi determinado em pesquisas posteriores), e mais tarde, de 1544 em diante, denominado Porto de Santos, devido à invocação do Hospital, inaugurado em 1543 – Porto de Santos, que passou muito naturalmente ao povoado.

Os fundadores de Santos – Muitos são os autores antigos que atribuem a fundação de Santos a Martim Afonso, e, entre os mais notáveis, citaremos Simão de Vasconcellos, o famoso jesuíta, autor da história de sua Ordem, que conviveu com os filhos dos fundadores de Santos e que escreveu sua obra sobre os manuscritos de Manoel da Nóbrega; Rocha Pitta, o primeiro historiador brasileiro, em sua História da América Portuguesa, obra aprovada pela Academia Real de História Portuguesa, que lhe valeu o título de fidalgo; frei Antonio de Santa Maria Jaboatão, em sua Chronica dos Frades Menores da Província do Brasil, obra consagrada pelos portugueses e mandada reimprimir no século passado (N. E.: século XIX) pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; frei Francisco de Santa Maria, em seu Santuário Mariano, frade do tempo de Jaboatão e uma das autoridades contemporâneas.

O próprio documento em que todos os autores de 1839 para cá se basearam para tratar da história de Santos e São Vicente – o famoso Diário da Navegação, de Pero Lopes de Sousa, cosmógrafo da Armada de Martim Afonso, acusa a fundação pelo donatário de duas povoações no litoral vicentino (São Vicente e mais uma).

Ora, juntem-se esses depoimentos todos, descrição que fizemos do início santista, início esse que foi todo presidido por Martim Afonso de Sousa, que só partiu, de volta a Portugal, a 22 de maio de 1532, e chegaremos realmente à conclusão de que, por ser dono das terras santistas, por havê-las distribuído pessoalmente aos seus primeiros ocupantes e por haver assistido às primeiras instalações, primeiras plantações e primeiros aproveitamentos industriais, animando a todos com a sua presença protetora e sua força moral, ele foi de fato e de direito um dos fundadores de Santos, embora não fosse um de seus povoadores.

Justo é, pois, que, historicamente, juntemos aos nomes daqueles sete iniciadores de Santos o nome venerável de Martim Afonso de Sousa, que, retirando-se para Portugal assim que viu tudo bem encaminhado nas duas colônias vicentinas, deixou um capitão-mor em São Vicente e um fiscal em Enguaguaçu, fiscal esse que foi Braz Cubas até 1536, quando este passou o posto a Rodrigo de Lucena por ter de partir para a Europa.

O papel de Braz Cubas – Em 1536, o chão santista estava já tão povoado e cultivado que Braz Cubas, que naquela altura só possuía as terras acanhadas do Monte Serrate, na impossibilidade de se expandir ali mesmo ou de adquirir mais terras em redor, partiu para Portugal em princípios daquele ano, a conseguir de d. Ana Pimentel, mulher e procuradora de Martim Afonso, já então na Índia, a doação das terras de Jurubatuba e Ilha Pequena (Barnabé atual), vagas com a morte de Henrique Montes, ocorrida um ano antes, conforme se vê na descrição da escritura de 25 de setembro de 1536, lavrada em Lisboa.

E se grande era a confusão que se fazia entre a fundação do Hospital da Misericórdia com a fundação de Santos, menor não era o engano em se atribuir totalmente a Braz Cubas esta última, e tudo motivado, como dissemos, pela falta de um estudo aprofundado do início santista. Só os fatos de Braz Cubas ter outros companheiros mais idosos e de maior nobreza, e de precisar conseguir terras em 1536, por não ter mais lugar para onde se expandir, por força exatamente da presença de muitos outros colonizadores, demonstram que ele não seria o único fundador, e sim um dos fundadores ou iniciadores.

Braz Cubas, como se vê na própria escritura de 25 de setembro de 1536, passada em seu favor em Lisboa, era um dos servidores de Martim Afonso, espécie de escudeiro, e sabe-se – não só por isso como pelo fato de pertencer a uma família de burgueses do Porto -, que não era nobre de nascimento, mas sabe-se também que conquistou o foro de nobreza pelos grandes serviços prestados à Coroa em Santos, 16 anos depois da sua vinda com Martim Afonso, o que não diminui e pelo contrário o eleva, mas deve ser conhecido para evitar erros de interpretação, uma vez que os merecimentos de sangue “de puritate et nobilitate probanda” eram importantíssimos para efeito de distribuição dos favores reais.

A ligação tão íntima de Braz Cubas com Martim Afonso, por força de seu cargo, foi o princípio de toda a sua projeção no Brasil, uma vez que, desde 1533, ele ficou como fiscal de Martim Afonso no povoado nascente de Enguaguaçu. Depois vieram os seus grandes trabalhos em prol do mesmo povoado, a sua grande dedicação ao desenvolvimento santista, a construção da Misericórdia, ideia dele e dinheiro de todos, os seus serviços de exploração mineral e devassamento dos sertões, e em consequência a sua elevação a capitão-mor, a provedor da Fazenda, a cavaleiro fidalgo etc., e Braz Cubas, o filho do burguês João Pires Cubas, cresceu, cresceu com o povoado que embalara e ajudara a crescer, subiu, tornando-se a grande figura que indiscutivelmente tornou-se e que toda Santos venera.

A elevação a vila – Feito capitão-mor a 8 de junho de 1545, não saiu de Santos, como para lhe aumentar a importância, e desde então, todos os capitães-mores abandonaram São Vicente, passando a residir também em Santos, o que a tornou a cabeça moral da Capitania, uma vez que comercial e industrial já era.

Segundo notas de alguns historiadores, inclusive o barão do Rio Branco em suas Ephemerides Brasileiras, já a 15 daquele mesmo mês e ano, dava Braz Cubas a Santos o foro de Vila, detalhe esse, porém, que sempre foi recebido com reservas e nem pode deixar de se-lo, até que apareça um documento positivo a respeito, uma vez que nos livros de escrituras santistas, compulsados por frei Gaspar, os escrivães só se referem à Vila de Santos em janeiro de 1547, quando ainda em novembro de 1546 ainda se referiam a povoação.

Esta dúvida, aliás, e mais a dúvida que sempre houve sobre a data exata do aparecimento santista, é que determinaram, pelo tempo adiante, a ausência de comemorações aos centenários de fundação, motivando por parte da Câmara local, no princípio deste século (N.E.: século XX), a criação do Dia da Cidade, que é o 26 de janeiro de cada ano, comemorativo como se sabe da elevação da antiga vila a cidade, a pretexto para a comemoração conjunta da fundação santista, símbolo de toda uma história que só agora melhor se esclarece para a posteridade.

Aos santistas, pois, dedicamos este pequeno e verídico histórico de sua terra, desde o seu início até sua elevação a vila, como parte da homenagem que hoje prestamos à nobre, fecunda e generosa cidade de Santos.

Fonte: Jornalista Carlos Pimentel Mendes, do Novo Milênio
Crise da Construção Civil

O declínio da construção civil – Onde fica o fundo do poço?

Crise da Construção Civil
Tempestade perfeita: esvaziamento da bolha imobiliária, crise internacional do capitalismo, crise interna com redução de crédito e ataque aos trabalhadores. Quem vai comprar imóvel?

A atividade e o emprego na indústria da construção civil continuam em queda, embora tenham apresentado retração menos intensa nos últimos dois meses. “A longa trajetória de queda da atividade fez com que a indústria da construção operasse, em fevereiro, no menor nível de sua capacidade desde o início da pesquisa, em janeiro de 2012”, informou hoje (23) a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

De acordo com a sondagem industrial da construção em fevereiro, o cenário de fraca atividade e alta capacidade ociosa mantém baixa a intenção dos empresários de investir. “Para os próximos meses, as perspectivas dos empresários para o setor ainda são negativas, embora o pessimismo seja inferior ao observado ao longo de 2016”, destacou o relatório.

O indicador de nível de atividade atingiu 40,3 pontos em fevereiro, alta de 1 ponto em relação ao mês anterior. O indicador de número de empregados passou de 38,4 pontos em janeiro para 38,9 pontos em fevereiro.

Índice de utilização cai

Segundo os números, o nível de atividade da indústria da construção permanece muito abaixo do usual para o mês. O indicador de atividade efetivo/usual manteve-se praticamente estável na passagem de janeiro para fevereiro, passando de 28,5 para 28,8 pontos.

A utilização da capacidade de operação atingiu o menor nível da série histórica (53%). O índice encontra-se 2 pontos percentuais abaixo do de janeiro e 10 pontos percentuais abaixo da média histórica para o mês de fevereiro.

Expectativas ainda pessimistas

A CNI informou que os indicadores de expectativa caíram no mês de março, após duas altas consecutivas em janeiro e fevereiro. O índice de expectativa do nível de atividade diminuiu 1,2 ponto na passagem de fevereiro para março. No entanto, permanece próximo da linha divisória de 50 pontos que separa expectativa de crescimento e de queda.

Os indicadores de expectativa de novos empreendimentos, serviços e de compras de insumos e matérias-primas caíram, respectivamente, 0,5 e 1,2 ponto entre fevereiro e março. O índice de expectativa do número de empregados passou de 47,1 em fevereiro para 46,1 pontos em março.

Fonte: Agência Brasil, Edição: Valéria Aguiar

Curso de Corretor de Imóveis

Curso de Corretor de Imóveis na Baixada Santista

Curso de Corretor de Imóveis

O que é Corretagem de Imóveis

A Corretagem de Imóveis, também conhecida como Intermediação Imobiliária, é atividade formal, atribuição exclusiva, concedida pelo Estado Brasileiro a pessoas que tenham o curso Técnico em Transações Imobiliárias, devidamente credenciadas junto ao Conselho Regional de Corretores de Imóveis – CRECI.

A formação de Técnico em Transações Imobiliárias, TTI, requer no mínimo o Ensino Médio.

Qual o melhor curso de Corretor de Imóveis na Baixada Santista

Existem cursos de TTI online (EAD) e presenciais.

Existem cursos com carga horária mínima, e outros com algum conteúdo extra.

Na verdade, existe até curso superior para esse fim: Graduação em Negócios Imobiliários, entre outras opções, inclusive de pós graduação latu sensu..

Todos os cursos, em todos os níveis, tem algum valor agregado, bem como diferenciais que são do seu interesse exclusivo, como a abordagem de algum conteúdo específico ou até a localização da escola, por exemplo.

Além disso, informação nunca é demais..

.. isso significa que a escolha por um curso superior é algo absolutamente respeitável, ainda que você vá gastar mais tempo e dinheiro para se tornar corretor de imóveis por esse caminho..

.. por outro lado, curso de graduação tem uma vantagem incontestável, se você tá na caça de um título superior..

Apontar para o melhor ou pior curso de Técnico em Transações Imobiliárias é uma prerrogativa de quem conhece profundamente o conteúdo de cada um deles.

Não é o meu caso.

Mas como profissional do setor imobiliário, com muitos anos de experiência, a minha sugestão para você que procura um curso de corretor de imóveis na Baixada Santista é: escolha o mais fácil e mais barato.

Só não confunda “barato” com “ruim”, ok?

O fato é que, assim que você fizer a matrícula na maioria desses cursos, receberá um comprovante e com ele poderá dar entrada na sua carteira de estagiário no CRECI.. e isso significa começar a trabalhar..

E com o mercado travado do jeito que está, você deve começar a trabalha o quanto antes, e gastar o mínimo possível..

.. é o meu conselho.

Melhor Site para Corretores de Imóveis

Qual o melhor site para Corretores de Imóveis?

Melhor Site para Corretores de Imóveis

Não existe tecnologia que substitua o talento humano..

.. a tecnologia pode facilitar a sua vida e expandir o seu potencial, mas jamais te substituir..

Esse preâmbulo é a base da minha resposta.

Qual o melhor site para corretores de imóveis?

Todos e nenhum..

Porque não se trata simplesmente de ter um site..

.. o objetivo de todos os corretores de imóveis é vender..

.. é preciso, então, entender como esse processo se inicia e como ele se desenvolve..

Suponha que eu tenha um site horroroso, com uma única página, com meu nome e telefone, e que esse site sempre “pula na frente” de potenciais clientes, que sempre acabam ligando para mim..

Pronto. Esse é o site mais perfeito que existe..

.. porque, no final das contas, o que conta mesmo é que eu consiga “entrar em campo”..

.. ou em outras palavras: site bom é aquele que traz o cliente até você..

.. não adianta um site cheio de “luzinhas”, múltiplas funções, lindo, colorido, moderno.. e que ninguém vê..

Site é igual placa, lista telefônica, anúncio em classificado.. se não atrair cliente, não adianta.. é só uma despesa a mais..

.. e não somente atrair..

.. o bom site facilita a vida do cliente para ele continuar no processo..

.. a “conversão”, nesse caso, é o cliente ligar ou enviar um email..

O trabalho que desenvolvemos aqui tem exatamente esse foco..

Nós formamos uma equipe dedicada a criar situações de venda, ou seja, nós trabalhamos para que o seu anúncio apareça na frente de todos os “outros” (concorrentes).

Além disso, compartilhamos técnicas de intermediação imobiliária para que vc consiga converter os leads que produzimos..

Então, não se trata de um “melhor site”, e sim de um “melhor sistema”.. uma forma de trabalhar mais eficiente..

.. é o que oferecemos aqui..

.. temos mais informações para Corretores de Imóveis.. siga o link..

Marco Zero Santos

Marco Zero de Santos

Marco Zero Santos

Quem passa apressado pelo Centro de Santos raramente presta atenção a esse pequeno monumento, num canto da Praça Mauá, e poucos sabem seu significado.

É o Marco Distrital de Santos (ou Marco Zero), primeiro a ser implantado para fins de cadastro imobiliário no Estado de São Paulo.

Sobre ele, conta a História de Santos/Poliantéia Santista, de Fernando Martins dos Santos e Fernando Martins Lichti, em seu terceiro volume (1996):

“Pequeno monumento de propriedade da Procuradoria do Patrimônio Imobiliário e Cadastral do Estado de São Paulo, localizado na Praça Mauá, em cumprimento do que determina o Decreto nº 10.397, de 12 de fevereiro de 1940. O Marco Distrital, inaugurado em 12 de outubro de 1940, foi construído em granito polido de Piracicaba. Tem 1,20 metro de altura e base quadrada de 70 cm de lado. O Marco Distrital Padrão está guardado no seu interior, vedado num tubo de manilha, concretado a 35 cm abaixo do nível do terreno. Possui no topo uma calota esférica de bronze com dois sulcos em cruz assinalando o ponto que o mesmo define.

“As referências de posição são as seguintes: Longitude 46º 19′ 43″ Oeste Greenwich; Latitude de 23º 56′ 03” Sul; Altitude 4,445 metros sobre o nível do mar, onde se levanta o marco.

“É ponto de referências planimétricas da cidade, geodésimas gerais e para os serviços de topografia do Distrito de Paz de Santos. Está amarrado à rede de triangulação do Estado e ao sistema nacional de referência por intermédio do vértice do Monte Serrate. A Torre da Igreja do Monte Serrate já foi tomada como base, em 1876, para a planta hidrográfica da Barra de Santos, levantada pelo Capitão de Fragata, Barão de Teffé.

“Foi o primeiro Marco que se plantou para os serviços técnicos do Cadastro Imobiliário do Estado. Foi instalado com a presença do então interventor federal no Governo do Estado, Dr. Adhemar Pereira de Barros, e do então prefeito municipal de Santos, Dr. Cyro de Athayde Carneiro.”

Fonte: Jornalista Carlos Pimentel Mendes, do Novo Milênio
Corretor despreparado

O Corretor de Imóveis que não queria vender

Corretor despreparado

Um ótimo artigo sobre como qualquer Corretor de Imóveis pode perder clientes por mau atendimento.

Você já assistiu ao filme “Como perder um homem em dez dias“?

Na trama, a jornalista Andie Anderson, vivida pela atriz Kate Hudson, aceita o desafio de conquistar um homem e fazer tudo errado para que ele desista dela em dez dias.

Durante esse período, ela dá apelidos no diminutivo para o cara, chora e faz drama muitas vezes, leva várias coisas (da cor rosa!) para a casa dele, interrompe um jogo de pôquer com os amigos, impede-o de assistir ao jogo de basquete do time que ele adora, entre outras cenas para lá de divertidas.

A ideia é comparar o trabalho de um Corretor de Imóveis com a trama acima, partindo do princípio de que, em vendas, o mau atendimento é responsável por quase 70% dos negócios perdidos.

Por mais que muitos profissionais demonstrem vontade de aprender e de tornar o processo cada vez mais profissional, ainda há muitos vendedores no mercado que, na prática, fazem o caminho oposto.

Na ânsia de vender a qualquer preço, eles acabam por afastar o cliente e não realizar a venda – e, muitas vezes, não sabem nem como isso aconteceu.

Pensando nisso, nós aqui do Imóveis na Baixada resolvemos desencavar um artigo que tem mais de 5 anos, mas que continua atualizadíssimo.

O site VendaMais ouviu alguns dos maiores consultores do Brasil para criar o dossiê Como perder um cliente em dez dias. Embarque nessa viagem, criada pela mente de Alberto Centurião, Claudio Diogo, Dalmir Sant’Anna, Eloi Zanetti, Prof. Heinz e Rudson Borges. Garanto que será divertido e muito instrutivo.

No fim, veja se você, em algum momento da sua vida profissional, já cometeu – ou ainda comete – alguns desses clássicos deslizes.

O cliente

Emerson era gerente de vendas de uma concessionária de veículos, casado e pai de quatro filhos: dois adolescentes e dois rapazes já casados.

Há algum tempo, vinha sem sucesso procurando apartamentos em São Paulo.

Além dele, seu filho recém-casado e uma tia possuíam o sonho de adquirir um imóvel.

Emerson era, portanto, não apenas um cliente em potencial, mas o influenciador de outras duas possíveis aquisições – um excelente cliente.

Mas José, um certo tipo de Corretor de Imóveis, não percebeu isso. Acompanhe, dia a dia, esse catastrófico atendimento na visão da pessoa que mais importa: o cliente!

Primeiro dia – Cliente merece 100% da sua atenção

Um dia desses, recebemos o convite de um casal de amigos que estava comemorando três meses de casa nova.

Minha esposa Ana e eu fomos almoçar lá para conhecer o apartamento. Ao estacionar o carro, reparei nos muitos folders de imóveis que tínhamos, afinal, também estávamos procurando nossa “casa nova”.

Logo ao chegarmos, fizemos o tradicional tour pelo apartamento novo e André, meu amigo, abriu uma champanhe para brindarmos.

— Esta champanhe, que abrimos agora, foi enviada hoje pelo corretor que nos vendeu o apartamento – disse ele.

Imediatamente, respondi:

— O quê? O corretor, depois de três meses da venda, enviou-lhe uma champanhe?

— Sim, Oscar sempre se manteve atencioso com a gente, desde o momento em que nos mostramos interessados por um imóvel até agora. Ele é um ótimo profissional!

Sentei no sofá com um sentimento misto de tristeza e desassossego. Comecei a lembrar que, naqueles últimos meses, tinha visitado uns dez plantões de vendas e em nenhum deles havia encontrado um corretor de verdade.

Gostaria que todos os corretores de imóveis se interessassem por meus problemas, fizessem perguntas sobre meus gostos, costumes e conseguissem montar um quadro de benefícios para mim e minha família.

Ao contrário, foram imediatamente me entregando folders e desabando a falar intensamente sobre as características dos empreendimentos, mesmo sem saber quais eram minhas necessidades e desejos.

Descobri que o foco desses profissionais é o produto, e não o que ele pode proporcionar aos seus clientes.

Nas demonstrações nos subestimaram a ponto de nos tratarem como deficientes visuais.

Um deles nos conduziu por um apartamento e, a cada peça em que entrávamos, nos dizia o nome dela.

Na cozinha, ele nos informou: “Esta é a cozinha!”. Quando chegamos à sacada, ele, num tom espetacular, apontou-nos: “Esta é a sacada!”.

Às vezes, penso que estão fazendo tudo para que eu não compre um imóvel.

Mas agora seria diferente. Eu já tinha o corretor certo a procurar. Ele iria me ajudar a tomar a melhor decisão para mim e minha família e, depois de três meses, ainda iria me enviar uma champanhe para comemorar.

Peguei o telefone da imobiliária com meu amigo e liguei na mesma hora:

— Alô? É o Oscar?

— Não, o Oscar está em viagem para o exterior, mas meu nome é José. Posso ajudá-lo?

“Hum, colega do Oscar? Deve ser bom!” – pensei.

— Pode. Estou querendo adquirir um apartamento e gostaria muito de concluir a negociação em até dez dias. Acha que será possível?

— Claro, doutor, sem problemas!

— Ótimo, quando posso encontrá-lo?

— Pode ser amanhã, você vem até a imobiliária, o.k.? Estou com outro cliente na segunda linha. Nos falamos melhor amanhã. Um abraço, tchau.

E desligou. Estranho! Nem perguntou se eu sabia onde era a imobiliária. Pode ter sido só um deslize. Amanhã farei a visita. Mal posso esperar!

Erros
Não dar a atenção devida ao cliente.
Não pedir o contato do prospect.
Não oferecer nenhum tipo de conveniência para facilitar a vida, como ir até onde o cliente está, dizer que liga mais tarde para conversar com calma, estar disponível para ajudá-lo.

Segundo dia – Não julgue pela aparência

Hoje é sábado e, como de costume, dia de usar meu traje favorito: tênis, calça de moletom, camiseta e um boné.

Já que o veículo importado estava impecável, acabei indo até a imobiliária com meu carro básico para o dia a dia.

Como minha esposa e filhos estavam na casa da minha sogra, fui sozinho..

Parei o velho carro e fui em direção à porta de entrada.

Passei por dois vendedores que fizeram de conta que não me viram chegar.

Ao entrar, vi vários vendedores sentados às suas mesas de trabalho.

Alguns me olharam rapidamente, voltando logo sua atenção para seus computadores.

Fiquei bastante deslocado diante da total indiferença e desprezo que todos me transmitiam.

Por um momento, tive vontade de dar meia volta e sair do local para nunca mais voltar.

Quando finalmente fui atendido, pedi para falar com José, o corretor com quem tinha conversado por telefone.

E fiquei surpreso ao saber que José era justamente um dos que estavam na porta de entrada quando cheguei.

Ao ser chamado, o vendedor esboçou clara insatisfação ao ter de interromper a conversa com um colega.

Senti que eu estava sendo analisado e avaliado dos pés à cabeça.

José logo começou a falar das ofertas que tinha e dos prazos que deixariam a prestação “cabendo no meu bolso”.

Em nenhum momento ele se interessou realmente pelo que eu queria.

Diante de tal tratamento, resolvi não levar adiante a visita naquele momento.

A humilhação foi tamanha que decidi dar uma lição no insensato vendedor.

Mais tarde, retornei ao plantão de vendas, agora acompanhado de minha família e com meu carro importado. Todos estávamos vestidos com roupas de grife da última viagem ao exterior.

José demorou um pouco para me reconhecer.

Passadas as apresentações de praxe, o vendedor se apressou em mudar totalmente o perfil dos imóveis já apresentados.

Agora, oferecia os mais caros e que lhe rendessem mais comissão, seu grande objetivo.

Achou que eu não percebi, decerto.

Apesar de me tratar muito melhor, o vendedor continuou sem prestar atenção no que eu realmente queria: um apartamento no mesmo prédio do meu amigo André (eu sabia que tinha outro para vender lá) ou em condições parecidas.

Mas tal imóvel nem me foi oferecido, talvez estivesse em oferta e pagasse baixa comissão.

Fomos todos embora e fiquei de voltar com calma no outro dia.

Quem sabe eu teria mais sorte e seria mais bem atendido? Talvez a correria fosse menor.

A verdade é que eu queria muito me mudar e sabia o quanto isso era importante para a minha família.

E, embora José estivesse demonstrando um pouco de despreparo, havia me prometido concluir tudo em até dez dias.

E isso vai coincidir com o meu aniversário de casamento com a Ana! Ela vai ficar superfeliz, tenho certeza.

Consigo imaginar os olhos dela, cheios de lágrima. É, vou insistir mais um pouco.

Erros
Julgar pela aparência.
Observar o cliente de forma que o constranja.
Deduzir o que o cliente deseja.
Oferecer o produto/serviço que gere mais retorno financeiro para o vendedor.

Terceiro dia – Não confunda o Cliente

Estou aqui pensando que qualquer ato de vender precisa envolver confiança, tanto para quem compra quanto para quem vende.

E é sempre complicado, para não dizer impossível, vender aquilo que nós mesmos não compraríamos por uma razão simples: vendemos também nossas crenças.

Mas não podemos nos esquecer nunca de ficar atentos às razões dos clientes.

Infelizmente, isso não aconteceu com José, quando fui novamente à imobiliária hoje. Cada vez que eu mencionava o apartamento de André, José rebatia me mostrando outras opções, geralmente mais caras.

Então, perguntei:

— José, me diga a verdade: há algum problema com o apartamento no mesmo prédio do meu amigo?

— De maneira alguma, seu Emerson. Apenas quero que o senhor conheça esses três imóveis, que eu tenho certeza de que serão a sua cara!

Ao contrário do que ele pensava, em vez de me ajudar, estava só me deixando ainda mais confuso.

Cada apartamento tinha algo especial, uma coisa com a qual eu sonhava. O ideal seria que eu pudesse misturar tudo em um só.

Foi então que me lembrei de um conselho dado pelo primeiro gerente de vendas que tive na vida, seu Afonso:

“Não ofereça opções demais ao cliente! Vender não é atirar em qualquer pardal, é essencialmente a arte de descobrir a real necessidade do cliente e oferecer a ele algo específico, solucionando seus problemas e dando-lhe total satisfação”.

Enquanto José insistia de lá, eu insistia daqui e, já um pouco cansado, pedi que ele me mostrasse o apartamento no prédio de André.

Ele fez isso, mas com má vontade nítida.

Gostei muito da descrição e das fotos que estavam na imobiliária, porém ainda tenho muito chão pela frente antes de tomar qualquer decisão.

Então, saí de lá com nada menos do que oito flyers de imóveis, cada um com um ponto forte diferente.

Esse é um sonho grande da minha família, não posso arriscar ter arrependimentos.

Erros
Não fazer perguntas ao cliente.
Não anotar informações nem construir um briefing.
Aceitar vender algo em que não acredita ou no que não concorda.
Oferecer opções demais ao cliente.
Descuidar da linguagem corporal, passando imagem de descompromisso com a venda.

Quarto dia – Entenda o processo de decisão e a importância de cada um

Hoje eu acordei decidido.

Conversei com a minha esposa ontem à noite e ambos resolvemos ir até a imobiliária. Ana também havia gostado muito do apartamento de André, mas estava disposta a olhar outras opções com mais calma.

Chegamos à imobiliária e José me cumprimentou, todo animado.

Disse que havia encontrado outra opção que eu não poderia recusar: um apartamento de 400 m², com sala em “L”, ideal para colocar um bar e uma mesa de pôquer, para aproveitar com os amigos!

Mal reparou em minha mulher.

— E aí, vamos dar uma olhada nessa opção? – disse ele, olhando apenas para mim.

Muito curioso (para não dizer sem noção!) ver José aparecer todo animado com espaço para bares e mesas de pôquer, sabendo que eu queria um espaço para minha família. Talvez esse fosse o sonho dele, mas certamente não é o meu. Nada como alguém que realmente presta atenção no que a gente diz!

— Sabe, José, a Ana e eu estamos pensando em algo mais clássico, mais família.

— Mas você vai perder essa oportunidade? Deve haver momentos em que sua mulher vai para a casa da sogra e deixa você curtir o “apê” com os amigos, não?

Eu juro que achei que ele estivesse brincando. Não havia como alguém ser tão desatento!

Achei melhor fingir que não ouvi e comecei a dar uma olhada nas outras opções.

Ana sinalizava os apartamentos que gostaria de ver e até dava dicas do que estava achando legal nos imóveis, mas o vendedor só prestava realmente atenção nela quando eu concordava com algo – uma situação para lá de constrangedora!

Ora, eu vou pagar o apartamento, mas a opinião de minha esposa é crucial para o negócio dar certo!

Queria que ele a cercasse de cuidados e de informações.

Será que ele ao menos se recorda de que temos dois filhos adolescentes? Lembro-me bem de que chegou a mostrar um apartamento ressaltando o imenso playground.

No fim, com muito custo, separamos três opções: duas selecionadas pela Ana e adivinhe qual era a terceira? O apartamento disponível no prédio de André!

Saímos satisfeitos, mas Ana odiou o vendedor. Disse que ficou feliz com as opções que nós selecionamos (mulheres adoram frisar as frases quando estão nervosas) e que dava graças a Deus por se livrar do corretor.

—É bom que ele escolha um excelente champanhe para nos enviar depois de concluída a venda! Será o mínimo que poderá fazer para se redimir… – reclamou Ana.

No mesmo tom desanimado, ela me informou de que não poderia visitar os apartamentos comigo no dia seguinte, mas que confiava nas três escolhas que fizemos.

Desejou-me boa sorte e muita paciência com José.

Erros
Descuidar dos influenciadores da compra (no caso a esposa).
Esquecer informações importantes dadas anteriormente (novamente aqui caberia tê-las anotado!).

Quinto dia – Não faça promessas vãs

Dia de visita aos apartamentos. Finalmente vou conseguir me sentir dentro do imóvel.

Primeira opção: apartamento no prédio do André!

Achei o espaço muito bacana, mas pensei em uma modificação:

— Posso mudar a posição dessa parede?

— Claro que pode! – respondeu José.

— Também gostaria de colocar piso cerâmico…

— Posso ver com a minha imobiliária para fazer isso ao senhor, sem nenhum custo, se decidir pela compra esta semana!

— Hum, a proposta é tentadora. Você faria realmente isso por mim?

— Claro!

Nesse momento, meu celular tocou. Era André, meu colega que mora no mesmo prédio.

Aproveitei para contar, entusiasmado, que poderemos ser vizinhos.

Entre um detalhe e outro, contei que estava pretendendo derrubar a parede da cozinha. Ele, então, me jogou um balde de água fria:

— Emerson, isso não dá. A minha esposa tinha a mesma vontade, mas conversei com a síndica e essa alteração não está permitida, pois ali está uma das colunas de sustentação do edifício.

Após um pouco mais de conversa, despedi-me de meu amigo, furioso.

— José, acabo de saber que não dá para mudar a parede. Por que você não se informa das coisas?

Vermelho, José não disse mais nada. Acho que ele é como a maioria dos corretores, que tem como hábito prometer muito para fechar a venda.

Continuei vendo o apartamento e, depois, disse a ele que eu precisava pensar e que amanhã conversaríamos de novo.

Quinto dia e nada.

Ainda bem que o apartamento parece bom! Espero que amanhã as coisas fluam melhor. Iremos visitar os outros dois.

Erros
Fazer promessas apenas para fechar a venda.
Dar respostas ao cliente sem verificar as informações.
Descuidar de características do produto ou serviço que podem ser interessantes para o cliente (e que ele poderia ter verificado se tivesse feito cuidadosamente o levantamento de necessidades!).

Sexto dia – Assuma totalmente o processo de vendas

Cheguei à imobiliária no horário combinado, mas José ainda não estava na empresa. Meia hora depois, chegou esbaforido.

— Seu Emerson, aconteceu um imprevisto e não poderemos ver os dois imóveis que eu havia prometido ao senhor. Pedi à minha colega Sônia que agendasse as visitas, mas ela não fez. Sônia, que estava ao lado, entrou na conversa:

— Não fiz porque você não foi claro sobre os horários em que eu deveria marcar e, depois, no fim da tarde, quando me deu a confirmação, os apartamentos já não estavam disponíveis! – respondeu ela, de forma ríspida.

O que aconteceu depois foi uma sucessão de mancadas. Os dois começaram a discutir na minha frente e, após cinco minutos (que para mim pareceram uma eternidade!), Sônia saiu da sala, deixando José com a cara fechada.

— Seu Emerson, me desculpe por essa cena que acabou de presenciar. Essa Sônia não é nada profissional! – disse-me o corretor.

Informação extremamente útil para mim saber que havia uma profissional incompetente na empresa, não é mesmo?

A minha vontade era dizer que eu estava começando a suspeitar da competência de mais de uma pessoa naquela imobiliária. Foi aí que José soltou mais uma pérola:

— Seu Emerson, o senhor me pareceu empolgado ontem com o imóvel que visitamos. Não quer estudar as propostas para ele?

O imóvel, que há poucos dias não motivava o vendedor nem um pouco para vender, de uma hora para a outra se tornou o lugar ideal! Como sabia que minha mulher havia gostado do apartamento também, mesmo contrariado, aceitei ouvir a proposta. Mas aproveitei a deixa para dar um cutucão:

— Onde está o Oscar, o corretor que na época atendeu tão bem o meu amigo?

— Ele não trabalha mais com a gente, saiu esta semana.

— Mas você me disse que ele estava em viagem!

— Disse? Não lembro.

— Você anda se confundindo com certa frequência ultimamente. Bom, vou estudar a proposta e lhe dou um parecer amanhã, o.k.? Por favor, vá adiantando o processo no que der e fazendo uma lista das documentações de que preciso, pois, se eu decidir comprar, já resolvemos isso amanhã mesmo.

Saí contrariado. Não era assim que eu imaginava o processo de compra ideal.

Erros
Efetuar mudanças sem avisar o cliente.
Dar desculpas, colocando a culpa nas costas de outro vendedor ou colega.
Não se responsabilizar pelo processo de vendas como um todo. O cliente não quer saber se você delegou a outro uma função que era sua, ele quer que cumpra o que prometeu.
Discutir com funcionários na frente do cliente ou criticar concorrentes.
Agir de maneira confusa, falando muito bem de um produto ou serviço que anteriormente tinha sido criticado, só por falta de opção do vendedor.

Sétimo dia – Tenha empatia com o cliente

Eu já estava tranquilo, pois achava que tudo havia se encaminhado e queria muito dar aquele presente à minha família em poucos dias. Já imaginava a expressão emocionada de Ana.

Mas aí alguns detalhes começaram a aparecer.

O que era “perfeitamente possível” no início da negociação, agora já tinha virado uma indefinição.

Eu precisava de alguns papéis que não possuía e que demorariam alguns dias úteis para serem liberados. Tudo bem, essa não era função do corretor, mas por que, então, já não me avisou da necessidade de tais papéis no primeiro dia?

Considero isso uma visão tubular.

Trabalho com vendedores também e sei que muitas vezes eles omitem, indevidamente, alguns fatos por acreditarem que fecharão a venda de maneira imediata. Que injusto eu cair nessa armadilha!

Mas, o.k., respirei fundo e tentei contornar a situação. E José tentou se redimir:

— Já que não conseguirei cumprir o prazo, posso estudar um desconto a mais com o meu gerente. Algo para fazer você virar nosso cliente. Que tal?

Que corretor infeliz! “Quem disse que, para mim, preço é importante e que um desconto iria resolver quaisquer erros cometidos pela empresa? Além de acabar com a minha esperança de ter o imóvel no dia prometido, ainda diz na minha cara que o que eu vou comprar vale menos do que, até então, eu estava pagando? E esse papinho de ‘vou ver com o meu gerente’?

Mas, o.k., se ele abriu uma brecha para eu pagar menos, por que não?”, pensei.

— Quero um desconto de 20% só por esse incômodo!

—Nossa, isso não posso fazer! Posso no máximo conseguir 5%. Veja bem, senhor Emerson, esse é um apartamento que já está em promoção. Há muita gente procurando esse imóvel.

—Sim, e todas essas pessoas estão com a mesma urgência que eu, querendo comprar em três dias! – respondi, com tom de ironia.

—Vamos fazer o seguinte, eu não consigo dar esse desconto, mas consigo melhorar as condições de pagamento. Que tal se, em vez de fazermos o financiamento imobiliário em 10 anos, fizermos em 12? Assim qualquer um consegue realizar, até o senhor!

Ele estava obviamente me sacaneando, só pode! Quem disse que eu quero um imóvel que “qualquer um” possa pagar o financiamento? Sequer sabe qual é a melhor opção de compra e financiamento para mim:

—Não sei, preciso pensar. Veja com seu gerente o que pode fazer e amanhã conversamos. Mas, olha, vê se não sai me prometendo coisas que não pode cumprir! Só quero que me dê as opções que realmente for cumprir, entendeu?

—Sim, pode deixar. Amanhã mesmo ligarei para o senhor!

Erros
Omitir fatos, atrasando o processo.
Oferecer desconto (ou qualquer outro “consolo”) para redimir uma promessa não cumprida.
Não descobrir o que de fato tem importância para o cliente na negociação.
Não criar empatia com o cliente, ao utilizar frases como: “Se não quer, tem quem queira!”, e achar que isso é técnica de fechamento!

Oitavo dia – Não ignore o Cliente

Nada. O “amanhã mesmo” não chegou e José não me ligou. Já são 22 horas. Deve ter tomado uma bronca do gerente. Benfeito! Quem sabe assim ele aprende alguma coisa?

Em nada do que ele fala dá para acreditar. Ele, obviamente, não tem a menor consideração por mim! Faz pouco caso sobre o assunto, não possui interesse, é irresponsável e péssimo profissional.

Ele podia ter usado qualquer forma para se comunicar: telefone, me chamar para ir até lá, ir até meu escritório ou me mandar um e-mail, qualquer coisa que mostrasse que ele se importou um pouquinho com o meu apartamento e com as promessas que me fez. Não custava nada!

Mas tudo bem… corretores que se esquecem de repassar informações aos seus clientes também serão esquecidos por eles.

Pronto, decidido.

Agora a coisa mudou! Quando ele precisar com urgência de algo meu, direi que não posso e vou enrolar assim como ele está fazendo comigo! Ele vai aprender como é bom ficar esperando!

Erros
Ignorar o cliente.
Prometer e não cumprir.
Não informar ao cliente o andamento da venda.
Sumir, sabendo o quão importante aquela compra é para o cliente.

Nono dia – Não adianta forçar a venda

Diário, vou pedir licença para contar a história na visão do corretor, pois acho que isso dará uma impressão mais correta do que aconteceu nestes dois últimos dias de negociação.

José acordou cedo, depois de uma noite mal dormida. Precisava fechar uma venda com a máxima urgência, pois as contas se avolumavam assustadoramente.

IPVA e seguro do carro, pensão da ex-mulher, escola dos filhos, TV a cabo… tantas dívidas que ele até perdeu a conta.

Até o celular, seu companheiro inseparável, instrumento de trabalho cotidiano, agora virou “pai de santo”, só “recebe”.

Embora ainda fosse novo na profissão, sabia que vida de corretor é igual à vida de centroavante, às vezes acontecem períodos de “seca”, um ou dois meses sem gol.

Mas essa fase ruim estava demorando a passar. Os clientes andavam muito exigentes, ou talvez os imóveis fossem mal localizados, ou talvez fosse apenas falta de sorte.

— Maldita crise! – dizia José, ignorando o fato de o mercado de imóveis estar muito aquecido.

Sua última esperança era o Emerson, aquele cliente enrolado que não se resolvia nunca.

Com o serviço do celular suspenso, o jeito era ligar para ele antes de sair de casa. Foi o que fez, sem pensar que o cliente poderia estar dormindo.

— Quem?! – Emerson não entendeu direito, ainda meio zonzo de sono.

— José, o corretor.

— Corretor de quê?

— Do apartamento, seu Emerson. A que horas eu posso passar aí para a gente fechar o negócio?

— Aqui em casa não, é melhor marcar no escritório.

— Tudo bem. Às 9 horas, pode ser?

— Nem sei como está minha agenda para hoje. Pode ligar lá pelas 10 horas.

José percebeu certo desagrado na voz do cliente. Maldita ansiedade!

A reunião acabou acontecendo no fim da tarde e, para piorar a situação de José, o cliente ainda não estava pronto para fechar o negócio.

Tinha dúvidas, pediu mais alguns esclarecimentos e adiou a decisão para o dia seguinte, sentindo-se incomodado com o assédio do vendedor desesperado.

Erros
Achar que a falta de resultados é má sorte ou problema com o mercado.
Achar que o problema da indecisão é do cliente e que nada que ele fez – ou poderá fazer – vai influenciar.
Demonstrar desespero ao cliente.
Deixar os compromissos da vida pessoal (dívidas, nesse caso) influenciarem a venda.
Colocar todas as fichas em uma venda.

Décimo dia – Blefar pode dar errado

“Parece mentira, mas já se vão dez dias negociando com esse cliente enrolado. Hoje ele não me escapa. É comprar ou comprar”, foi assim que José começou o seu dia.

Ele nem deu ouvidos ao colega, que o aconselhou a ter muita calma na hora do fechamento. Sua paciência estava esgotada. Ia pressionar o cliente, dizendo que havia outro interessado no apartamento.

José chegou perguntando se Emerson estava pronto para assinar o contrato, pois havia outro interessado no apartamento, decidido a fechar negócio no ato, até mesmo pagando mais caro.

Disse ainda que estava “segurando” o imóvel em consideração a Emerson, mas não poderia esperar mais. Era pegar ou largar.

O cliente lembrou que havia outros apartamentos disponíveis no mesmo prédio, mas José argumentou que aquela era a última unidade com face norte, que os outros eram de fundos, em andares mais baixos, com menor insolação e sem a vista privilegiada.

— Podemos assinar o contrato? – perguntou José, naquele tom incisivo que havia ensaiado diante do espelho.

— Acho que não – Emerson parecia desencantado, mas foi com certo alívio que concluiu:

— Vamos deixar para outra ocasião.

— Mas é uma excelente oportunidade. O senhor vai perder um ótimo negócio! – José parecia novamente desesperado.

— Como dizia meu avô, bom negócio e baile funk tem todo dia. E não quero te prejudicar. Você já tem outro interessado na mão, pode vender por um preço melhor. Vamos ficar assim, você pode aproveitar a oportunidade de vender esse apartamento que assim eu ganho tempo para escolher com calma.

Perplexo com o tiro que saíra pela culatra, José teve de aceitar a decisão do cliente.

— Tudo bem, se prefere assim… – disse José, mal disfarçando a contrariedade – Mas o senhor comentou que seu filho e sua tia também estão procurando apartamento. Talvez possa fazer uma indicação.

— Nisso você prestou atenção? É, realmente esse era o meu plano, trazê-los para morar perto de mim – respondeu Emerson – Mas você me convenceu de que os outros apartamentos disponíveis são bem piores do que este.

José saiu dali pensando como alguém poderia ser tão enrolado quanto aquele cliente, transferindo para ele toda a responsabilidade pelo negócio fracassado.

Sem pensar que poderia ter vendido três apartamentos, e não somente um, caso soubesse conduzir acertadamente o processo de negociação.

Emerson lamentou a perda do apartamento, que lhe agradava, mas realmente ser atendido por esse corretor sem noção não tinha dado em nada.

Voltando para o escritório, pegou o cartão de outro corretor para tentar, mais uma vez, encontrar alguém que realmente lhe desse a atenção devida.

Uma hora ele encontraria, afinal, esperança de cliente é a última que morre!

Erros
Afobar-se na hora do fechamento.
Mentir para fechar a venda.
Pressionar o cliente.
Transferir a culpa, perdendo a grande oportunidade de aprender com seus erros.

Esperamos que nem você nem corretor algum da sua equipe cometam a quantidade de erros que José cometeu.

Mas ficam aqui muitas lições para que essa ficção esteja cada vez mais longe da sua realidade!

Colaboraram nesta matéria:

Alberto Centurião– Coach e consultor em ouvidoria, vendas e comunicação. Autor e encenador especializado em “teatro treinamento”. Sócio gerente da Centurione Teatro & Treinamento.

Visite o site: www.centurione.com.br.

Claudio Diogo– Vendedor, palestrante e professor. Especialista em consumo, realiza consultoria na criação e desenvolvimento de métodos de vendas para empresas brasileiras, da América Latina, África e Europa.

Visite o site: www.tekoare.com

Dalmir Sant’Anna– Palestrante comportamental, mestrando em administração de empresas, pós-graduado em gestão de pessoas, bacharel em comunicação social e mágico profissional.

Visite o site: www.dalmir.com.br

Eloi Zanetti– Palestrante de marketing, vendas, comunicação corporativa, gestão de marcas, criatividade e comportamento.

Visite o site: www.eloizanetti.com.br.

Rudson Borges– Gestor de negócios, master practitioner e trainer em programação neurolinguística, coach pessoal e executivo. Vice-presidente da Associação Brasileira de Consultores e Treinadores de Vendas (Abraconsult).

Visite o site: www.rudsonborges.com.br.

Prof. Heinz– Empresário, consultor da área de planejamento estratégico e qualidade total, instrutor e palestrante de atuação nacional. Diretor da Dinamikós Consultoria e Treinamentos S/C Ltda.

Permuta

A boa e velha permuta de volta: e com força..

Permuta

Até 2013, início do esvaziamento forte da bolha imobiliária, os financiamentos imobiliários bancavam 80% dos negócios. A crise trouxe de volta uma boa e velha prática: a permuta.

“As pessoas continuam com vontade de mudar de imóvel, mas, em tempos difíceis, preferem preservar o dinheiro guardado no banco ou simplesmente não tem caixa para investir em uma casa nova”, afirma o diretor comercial da imobiliária Coelho da Fonseca, André Souyoltgis.

É nesse cenário que esse tipo de transação ganha espaço.

De acordo com ele, de 2015 até agora, o número de permuta de imóveis cresceu em razão da crise.

“2016 foi o ano com o maior número de trocas em dez anos. Fizemos 2,5 vezes mais permutas em 2016 do que em 2015”, diz Souyoltgis, sem no entanto revelar os números dessas negociações.

O negócio ficou tão em alta que a imobiliária Lello precisou criar um campo de busca novo em seu site.

“Em agosto, com o número crescente de pedidos, decidimos inserir a opção ‘permuta’ no portal. Assim, quem procura uma casa nova para comprar já consegue saber quais vendedores aceitam outro imóvel em troca”, explica o diretor de vendas da Lello, Igor Freire.

“Os proprietários estão mais flexíveis, porque sabem que se não aceitarem um imóvel menor como parte do pagamento, podem ficar muito tempo esperando pelo comprador perfeito”, afirma.

Fernando Araújo Carneiro, de 33 anos, foi um dos que se beneficiaram com a maleabilidade dos vendedores.

O eletricista queria sair do apartamento de dois quartos, sala e cozinha para morar em uma casa maior.

Chegou a colocar seu imóvel à venda, mas ninguém queria pagar o valor que ele considerava ideal.

Junto com a imobiliária, resolveu apostar na permuta.

Encontrou um proprietário que não estava conseguindo vender a casa de R$ 500 mil.

“Ele decidiu aceitar meu apartamento e meu carro em troca, porque pelo menos teria uma parte do dinheiro em mãos. Era melhor do que esperar mais tempo pela venda tradicional”, diz Carneiro.

O eletricista ainda obteve um financiamento imobiliário de R$ 200 mil para pagar o restante do valor.

“Para a minha família foi excelente. Queríamos mudar para uma casa melhor, com mais quartos e outras facilidades, mas não tínhamos dinheiro nem crédito para isso. A permuta possibilitou a realização do sonho”, conta.

Nem todos aceitam permuta

Nem sempre, porém, é fácil combinar a compra e venda dessa forma.

Apesar de a crise ter facilitado a permuta, compradores, vendedores e corretores podem enfrentar alguns percalços no processo.

“É difícil encontrar dois clientes que tenham desejos conciliáveis. O proprietário do imóvel de valor mais baixo precisa achar um outro dono que aceite aquela casa ou apartamento como está”, diz Freire.

A dica para a permuta dar certo é aceitar uma depreciação do valor de mercado.

“Assim, o vendedor sabe que vai conseguir ganhar alguma coisa quando vender o apartamento que aceitou como parte de pagamento.”

Segundo o CEO da Imobiliária Mirantte, Luiz Carlos Kechichian, ele incentiva seus funcionários a conhecerem muito bem seus clientes.

“Às vezes, um comprador precisa ir para uma casa maior, em um bairro mais afastado da cidade, porque a mãe ou a sogra vai se mudar para a residência dele. Então, o corretor pode oferecer a permuta para uma família, que ele saiba que deseja migrar para um apartamento pequeno porque os filhos saíram de casa, por exemplo.”

Urgência na venda estimula permuta

Além da crise e de necessidades pessoais específicas, outras razões que fazem os clientes aceitarem as permutas são a vontade de se livrar de altas taxas condominiais ou IPTU.

“Se o vendedor está com dificuldade de achar um comprador que pague em dinheiro a quantia total, é melhor aceitar a troca por um apartamento menor e gastar menos com condomínio e manutenção”, diz Freire.

As permutas – que, na verdade, funcionam como uma compra e venda dupla – são interessantes para as imobiliárias, porque garantem o pagamento de duas comissões, em cima do valor dos dois imóveis.

“Por isso, é interessante que corretores se empenhem para realizar esse tipo de negócio”, diz Kechichian.

No entanto, é exatamente a comissão duplicada que pode atrapalhar algumas negociações.

Como a pessoa que oferece um imóvel de menor valor como pagamento é, normalmente, a compradora, ela acredita que só a outra ponta é quem deve pagar comissão.

“Ela não entende que, na verdade, também está vendendo o imóvel dela, e por isso, deve pagar pela intermediação imobiliária”, diz Freire.

Para convencer os clientes, vale explicar que a permuta também tem vantagens tributárias.

“Se a troca é feita entre imóveis de valores iguais, não há cobrança em cima do ganho de capital no imposto de renda; ou então só serão pagos o ganho de capital em cima da diferença entre os dois imóveis”, diz o advogado especialista em direito imobiliário, José Guilherme Siqueira Dias.

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Velocidade para os dois.

Quando um vendedor aceita permuta na negociação, ele pode se livrar mais rápido do imóvel. O mesmo vale para o comprador, que não precisa vender o bem antes de fazer nova aquisição.

Dinheiro no banco
Em vez de esperar muito tempo para vender um apartamento e continuar pagando condomínio e IPTU, por exemplo, o proprietário pode aceitar um imóvel de menor valor. Dessa forma, garante pelo menos uma parte em dinheiro e diminui os gastos com manutenção.

Imposto de renda
Com a permuta, o vendedor só tem ganho de capital em cima da diferença entre um imóvel e outro. Caso seja uma troca “taco a taco”, não há cobrança de imposto de renda em cima da venda. (PS.: “taco a taco” significa bens de mesmo valor, sem retorno, condição improvável).

Duas desvantagens
Vendedor e comprador têm de concordar com a troca; e encontrar a combinação perfeita pode levar tempo. Além disso, é preciso que as duas pontas paguem a comissão da imobiliária.

Permuta pode incluir outros bens

A troca de dois imóveis é o tipo de permuta mais comum nas imobiliárias.

Mas outros itens também são aceitos – ou pelo menos oferecidos – como parte do pagamento.

É o caso de automóveis e motos.

“Quando o carro corresponde a uma parte pequena do valor total, os vendedores acabam aceitando”, diz o diretor de vendas da imobiliária Lello, Igor Freire.

“É uma prática bem comum nas concessionárias: dar o carro usado como parcela do automóvel novo. Por isso, é comum acontecer na permuta imobiliária também”, diz o diretor comercial da Coelho da Fonseca, André Souyoltgis.

O eletricista Fernando Carneiro ofereceu seu Chevrolet Onix 2014 como parte do pagamento do novo sobrado em Itaquera.

“Precisava complementar o valor do apartamento, mas não poderia ser em dinheiro porque não conseguiria todo o financiamento pelo banco.”

Souyoltgis, diz que é comum os clientes oferecem gado, joias, quadros, esculturas ou outras obras de arte e até avião. “Não são ofertas comuns, mas acontece.

E tem gente que aceita.

Segundo o CEO da Imobiliária Mirantte, Luiz Carlos Kechichian, antigamente até linha telefônica era ofertada na compra de um imóvel.

“Hoje, as tentativas mais inusitadas são de barras de ouro e títulos do Tesouro, mas é bem difícil dar certo uma permuta dessas.”

No entanto, quando a troca envolve o uso desses bens para pagar um imóvel (em vez de imóvel por imóvel) as imobiliárias não podem cobrar comissão. “Como não é considerado intermediação imobiliária, não há comissão.”

Fonte: Estadão