Especulação Imobiliária

A especulação imobiliária e suas consequências sócio ambientais

Especulação Imobiliária

A primeira lei brasileira referente à questão fundiária foi a Lei de Terras de 1850, que estabelecia o direito absoluto do proprietário sobre a propriedade.

Ou seja, o dono da terra era seu “rei”, podia fazer o que quisesse com seus domínios, inclusive defendê-la com o uso da força.

Mas é sempre bom lembrar que esta lei não vale mais.

Apesar dos vestígios de coronelismo que ainda se encontram por aí, a Constituição Brasileira de 1988 atribui um papel social à propriedade privada, o que quer dizer que o dono não pode mais fazer o que bem entender.

O uso da propriedade privada não pode, por exemplo, agredir a coletividade ou o meio ambiente.

Estas questões, que parecem remeter a conflitos no campo, também se manifestam nas cidades, onde as disputas não ocorrem por áreas para plantio e criação, mas sim para moradia.

Nas cidades, a especulação imobiliária é uma das principais causas de conflitos fundiários.

Com o crescimento das cidades, certas áreas adquirem o status de área nobre, geralmente aquelas consideradas mais seguras, mais “chiques” ou que permitem acesso mais fácil a serviços públicos e privados (supermercado, padaria, banco, hospital etc.) e aos locais de trabalho, entre vários outros fatores.

Essas áreas adquirem rápida valorização e os preços dos lotes sobem rápida e vertiginosamente.

A valorização é ainda maior (em geral, muito maior) depois da instalação de serviços públicos, como água, esgoto, pavimentação, drenagem das águas de chuva, luz, telefone etc.

A especulação se dá quando os chamados investidores compram terrenos em áreas potencialmente valorizáveis e os mantêm por algum tempo, até que sejam instalados os serviços públicos que vão aumentar o preço de suas propriedades.

Muitos destes serviços, entretanto, são implantados total ou parcialmente com recursos públicos, provenientes dos impostos de toda a população.

E o papel social da terra, previsto na Constituição?

Ora, não é justo que se invista dinheiro público para promover o ganho privado: ruas pavimentadas, redes de água, esgoto, drenagem etc. custam caro à coletividade e não devem ser implantadas a serviço do ganho particular, mas sim em benefício coletivo.

A especulação imobiliária marginaliza (deixa à margem da cidade e da sociedade) muitos e beneficia poucos.

Por força da especulação, a população mais pobre se afasta para a periferia, assentando-se muitas vezes em áreas ocupadas irregularmente, que, também pelo fato de serem irregulares, demoram anos para receber os serviços públicos essenciais de saneamento e infra estrutura urbana.

Cria-se uma situação absurda e paradoxal: a cidade tem grande número de lotes vazios em áreas urbanizadas e a prefeitura é continuamente cobrada a urbanizar áreas em que a ocupação foi irregular.

Além desses problemas sociais, a especulação imobiliária também favorece a degradação ambiental e dos espaços urbanos, porque promove o desmatamento das áreas verdes remanescentes no perímetro urbano para instalação de novos loteamentos (a especulação alimenta a especulação), o que contribui para o assoreamento dos cursos d’água (principalmente antes da pavimentação das ruas) e para a impermeabilização do solo urbano (com a pavimentação), dois ingredientes para as inundações.

Além disso, as áreas de proteção invadidas e o esgoto lançado a céu aberto nas áreas periféricas, dentre outros problemas, ao menos em parte, também têm origem na especulação imobiliária.

Enquanto isso, as áreas nobres, que dispõem de todos os serviços públicos instalados, permanecem repletas de lotes vazios por vários anos, à espera de melhor preço.

O quadro geral descrito anteriormente é típico das médias e grandes cidades brasileiras, mas às vezes também se manifesta em cidades pequenas. É o caso de Irati.

Irati tem quantidade impressionante de terrenos vazios em áreas completamente urbanizadas, sem qualquer utilidade senão a especulação. E novos loteamentos continuam a aparecer.

Em poucos anos, os loteamentos instalados nas cabeceiras da bacia do arroio dos Pereiras (o Arroio dos Pereiras é o “riachinho” que passa “logo abaixo” do Iraty Sport Club) aterraram nascentes, desmataram a vegetação, inclusive mata ciliar, contribuíram (e ainda contribuem) para o assoreamento do arroio e armaram uma arapuca para a cidade para daqui a alguns anos.

Quando esses loteamentos estiverem totalmente ocupados, com ruas pavimentadas e lotes ocupados por habitações, as chances de ocorrência de enchentes no centro da cidade aumentarão muito.

A não ser que o poder público (sempre ele) invista na ampliação da calha do arroio e o transforme de uma vez por todas em um canal de concreto.

Seria um triste destino para arroio dos Pereiras.

Impactos ambientais à vista, impactos sociais a prazo (com perdão do trocadilho): Irati já pode se gabar de ter áreas invadidas e de ocupação irregular.

Será que para por aí?

O compositor pernambucano Chico Science escreveu: “a cidade não pára, a cidade só cresce: o de cima sobe, o de baixo desce”. Veremos.

Mas o que fazer, então, para coibir a especulação imobiliária e cumprir a Constituição?

Por exemplo, pode-se aumentar o valor do IPTU para lotes que sirvam exclusivamente à especulação imobiliária: um lote que permanece desocupado por mais de 5 anos não tem qualquer papel social, ao contrário, presta um desserviço à comunidade, na medida em que desperdiça parte da vida útil dos serviços públicos instalados.

O IPTU mais caro torna menos atrativa a especulação e estimula o uso dos lotes para construção de habitações, que é sua função social legítima.

Esta e outras formas de combate à especulação imobiliária podem (e devem) ser incluídas nas leis municipais, como a Lei de Parcelamento do Solo Urbano.

Penalizar a especulação imobiliária é uma decisão muitas vezes impopular entre os mais ricos e difícil de incutir entre os mais pobres.

Entretanto, em praticamente todas as cidades brasileiras de médio e grande porte a história do crescimento urbano se deu pelo mesmo caminho desordenado. Irati ainda tem a oportunidade de buscar o seu.

Hélio Rodrigues dos Santos
Professor do Departamento de Engenharia Ambiental da UNICENTRO – campus Irati

Quitinete

Diferença entre Quitinete e Estúdio

Quitinete

A infra estrutura e a modernidade.

É isso o que diferencia os atuais estúdios dos antigos conjugado (também chamado de kitchenette, (palavra inglesa que quer dizer “cozinha pequena”, em sua versão aportuguesada: quitinete).

É um apartamento de até 50 metros quadrados, com pequena área destinada à cozinha, quarto conjugado à sala e parede divisória para separa banheiro.

Localizado nas regiões centrais das grandes cidades, era muito comum na década de 60, para atender os universitários e aos jovens de classe media em inicio de carreira ou vindos do interior.

Fica em prédios simples, com pouca ou nenhuma infra estrutura de serviços e de lazer.

O conjugado, por ser quase sempre um imóvel antigo, requer muita atenção ao estado de conversação principalmente das instalações elétricas e hidráulicas.

Estudio - LoftO estúdio tem a mesma metragem do conjugado, mas é moderno e charmoso.

Sem paredes para separar cômodos, tem cozinha americana (interligada à área social), banheiro e área de serviço.

O pé-direito (altura entre o piso e o teto) é um pouco acima do padrão.

Os prédios de estúdios costumam dispor de boa infra estrutura de serviços e lazer – piscina, sauna e sala de ginástica e, em alguns, salão de jogos, salão de festas, bar, escritório (home Office) e sala de cinema (home theater).

O estúdio foi idealizado para atender aos solteiros das classes média e média alta.

Com proposta parecida, porém maiores, estão os lofts, que são hoje uma das mais novas tendências do mercado imobiliário.

Sinônimo de modernidade e praticidade, seu grande trunfo é a versatilidade do espaço que, de forma simples e ao mesmo tempo bem pensada, agrega estilo e atende a todo tipo de inquilino.

Estes espaços surgiram inicialmente nos Estados Unidos e Europa a partir da reciclagem de antigos edifícios comerciais, galpões ou depósitos em contexto de requalificação de centros urbanos.

Os apartamentos possuem pé-direito duplo, cozinha americana, áreas livres e acabamentos internos com instalações aparentes, que atendem a um público de médio e alto poder aquisitivo – geralmente jovens e solteiros executivos bem-sucedidos, descasados e casais que optaram por não ter filhos.

O pé-direito duplo, além de possibilitar a implantação de um mezanino onde, muitas vezes, foi instalado o dormitório ou a suíte, também proporcionou um excelente nível de iluminação natural, com a possibilidade de colocação de grandes janelas.

Apartamento sem acabamento

Despesas com apartamento novo

Apartamento sem acabamento

O fechamento de contrato para aquisição do apartamento em lançamento é um dos momentos mais felizes na vida de milhares de novos proprietários de imóveis no Brasil.

Porém, além dos gastos iniciais, inclusive entrada e eventuais “balões”, é preciso se preparar para despesas adicionais antes de ocupar o imóvel.

Sob o argumento de que o custo para reforma é menor do que para aquisição, os imóveis são entregues “pelados”, condição bem distante do modelo decorado apresentado no stand.

Isso evita, em tese, que o comprador tenha mais despesas e transtornos para mudar aquilo que não gostou, na verdade uma falácia das construtoras, que procuram economizar o máximo possível.

Se realmente for uma vantagem, saiba que ela pesa na carteira: via de regra o novo apartamento vem sem o revestimento de quartos e salas, iluminação, box nos banheiros, armários, sancas e outros acabamentos.

Acabamento: pelo menos 20% do valor do imóvel

Segundo especialistas, desconsiderando os móveis, os custos com pisos, iluminação, aquecedores, armários e outros itens que precisam estar no apartamento, pelo menos para que seja possível morar nele, chegam a custar, no mínimo, 20% do valor do imóvel.

Ou você tem uma poupança para bancar essa despesa extra antes de ocupar seu novo imóvel ou vai passar um bom tempo convivendo com reformas.

Com os custos do acabamento, às vezes o desconto de um imóvel comprado na planta em relação a um imóvel pronto, já acabado, pode não compensar.

Por isso, na hora de pesar qual imóvel vale mais a pena em termos de valores, é fundamental considerar estes gastos que vão além do valor do imóvel.

Consórcio de Imóveis

Consórcio de Imóveis é a bola da vez

Consórcio de Imóveis

Com oferta de taxas menores em comparação às dos financiamentos bancários, as administradoras de Consórcio de Imóveis esperam que a procura pela modalidade continue este ano.

Em janeiro, as vendas de novas cotas cresceram 14,7%, somando R$ 2,2 bilhões, valor 28% maior do que o registrado em 2016, conforme dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac).

De acordo com o setor, uma das vantagens de um consórcio imobiliário é o custo menor.

A taxa média de juros nos financiamento da casa própria giram entre 8% e 9% ao ano.

Os consórcios cobram taxas administrativas menores, por exemplo, de menos de 2% ao ano.

Não há cobrança de juros.

“Na hora de tomar uma decisão sobre o que é melhor, o que pesa no bolso do consumidor é a diferença de custo”

É o que diz André Marini, diretor comercial da Ademilar Consórcio de Investimento Imobiliário, com sede em Curitiba e filiais em Joinville (Santa Catarina) e São Paulo.

A empresa registrou crescimento das vendas de 57,42% no primeiro bimestre, taxa acima da média registrada no ano passado (35%).

Animado com uma possível retomada do crescimento econômico do país ainda em 2017, o empresário Luiz Fernando Savian, dono do Consórcio Nacional Unifisa, projeta um aumento dos negócios de pelo menos 10%, quase o dobro do ano passado.

Ele destaca que a procura do consumidor pela modalidade cresceu, mas o que não significa negócio fechado.

“Tem havido um crescimento substancial de consultas sobre o sistema, que nem sempre resulta em negócios, o que sinaliza um interesse do consumidor em saber mais sobre essa opção de compra já que o sistema sempre foi mais conhecido pela comercialização de automóveis e motos”

O presidente da BB Consórcios (do Banco do Brasil), Alexandre Luis dos Santos, também prevê uma tendência de aquecimento do setor.

Para ele, ao adquirir o bem por consórcio, o cliente não “está contraindo uma dívida e sim fazendo um investimento, uma poupança”.

Ele acrescentou que em um momento de crise econômica, a maioria da população perde o impulso pelo imediatismo e vai em busca de opções mais baratas pensando no futuro.

O Banco do Brasil passou a oferecer consórcios em 2008.

Incluindo todos os tipos de bens, os negócios cresceram 46% nos dois primeiros meses deste ano em relação a igual período do ano passado, movimentando R$ 1,4 bilhão. As vendas de cotas de imóveis superaram em 18% as registradas em 2016, com volume financeiro de R$ 202 milhões.

FGTS

O resgate do dinheiro das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é mais um motivo de ânimo para o setor.

Os saques devem chegar a R$ 35 bilhões, conforme estimativas do governo federal.

Segundo a Abac, em janeiro, a aplicação de recursos do FGTS em consórcios movimentaram R$ 10,8 milhões, sendo o maior montante (R$ 4,8 milhões) para a compra de um imóvel, R$ 2,2 milhões para amortizar o saldo devedor e R$ 1,2 milhão para liquidar.

Consórcio não é imediato

O professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Alberto Ajzental alerta que quem pretende comprar a casa própria por meio de um consórcio deve estar ciente que não recebe o bem de imediato, assim que contrata o consórcio.

O interessado precisará pagar uma cota mensal.

E receberá a carta de crédito se for contemplado em um sorteio entre os participantes do consórcio ou quando oferece o lance mais alto.

Não há garantia de que receberá o crédito logo nos primeiros meses.

Os especialistas alertam que esse é um investimento de longo prazo, não é indicado para quem precisa de um imóvel com urgência. “No financiamento [bancário], estará pagando por um bem já disponível”, diz Ajzental.

Ajzental chama atenção para quem paga aluguel e pretende adquirir um consórcio.

Neste caso, a pessoa deve estar atenta para não comprometer parte significativa da renda com os dois pagamentos.

Fonte: Marli Moreira – Repórter da Agência Brasil, Edição: Carolina Pimentel

Logo CRECI

O que é TTI – Técnico em Transações Imobiliárias

Logo CRECI

O curso Técnico em Transações Imobiliárias – TTI – é o curso que forma Corretores de Imóveis.

É o começo de uma caminhada, o primeiro passo dentro da intermediação imobiliária.

Até 1978, para se tornar Corretor de Imóveis bastava se inscrever no Conselho Regional de Corretores de Imóveis – CRECI da sua região.

Daquela data em diante, tornou-se obrigatória a formação Técnica em Transações Imobiliárias, que, por sua vez, tem como pré-requisito básico o Ensino Médio completo.

De uma maneira geral, os cursos de TTI demandam cerca de 1 ano letivo, e dão uma “repassada” em conteúdos de matemática, português, Economia, Direito, Marketing, etc..

Por favor, não entenda como demérito dizer que os cursos apenas dão uma “repassada” nos conteúdos.

É o que dá prá fazer..

.. provavelmente você levaria anos, só para entender profundamente o Direito Imobiliário, e o curso TTI faz isso em alguns finais de semana..

Por conta desse aspecto escrevi esse artigo: Qual o melhor Curso de Corretor de Imóveis na Baixada Santista.

Porém, o fato mais relevante no tocante à formação profissional de corretores e corretoras de imóveis, é que o mercado quer muito mais do que só uma “formação em TTI”.

Muito além do TTI

O mercado imobiliário está deprimido. Para mais informações, leia esse artigo: O futuro do mercado imobiliário na Baixada Santista.

E nesse contexto, existe uma enorme insegurança para compra e venda de imóveis.

Razão pela qual o mercado “trava”: ninguém compra, ninguém vende..

É muito difícil para as pessoas se adaptarem a uma nova realidade, sobretudo quando falamos de imóveis, ativo supostamente estável.

Sem falar na existência de uma gigantesca propaganda alienante que mascara a realidade.

Neste contexto, para você convencer uma pessoa de que o apartamento dela de 3 qts, sala, cozinha, NÃO vale R$ 1 milhão, e sim R$ 300 mil, você precisa estar muito preparado(a).

Para você convencer uma pessoa a investir seus únicos R$ 500 mil em um imóvel qualquer, você precisa estar muito preparado(a).

Você vai ter que ir muito além do TTI..

Por isso eu chamei o curso de “ponta pé inicial” da carreira de Corretor de Imóveis.

Uma carreira que vai te exigir formação contínua..

Crise da Construção Civil

O declínio da construção civil – Onde fica o fundo do poço?

Crise da Construção Civil
Tempestade perfeita: esvaziamento da bolha imobiliária, crise internacional do capitalismo, crise interna com redução de crédito e ataque aos trabalhadores. Quem vai comprar imóvel?

A atividade e o emprego na indústria da construção civil continuam em queda, embora tenham apresentado retração menos intensa nos últimos dois meses. “A longa trajetória de queda da atividade fez com que a indústria da construção operasse, em fevereiro, no menor nível de sua capacidade desde o início da pesquisa, em janeiro de 2012”, informou hoje (23) a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

De acordo com a sondagem industrial da construção em fevereiro, o cenário de fraca atividade e alta capacidade ociosa mantém baixa a intenção dos empresários de investir. “Para os próximos meses, as perspectivas dos empresários para o setor ainda são negativas, embora o pessimismo seja inferior ao observado ao longo de 2016”, destacou o relatório.

O indicador de nível de atividade atingiu 40,3 pontos em fevereiro, alta de 1 ponto em relação ao mês anterior. O indicador de número de empregados passou de 38,4 pontos em janeiro para 38,9 pontos em fevereiro.

Índice de utilização cai

Segundo os números, o nível de atividade da indústria da construção permanece muito abaixo do usual para o mês. O indicador de atividade efetivo/usual manteve-se praticamente estável na passagem de janeiro para fevereiro, passando de 28,5 para 28,8 pontos.

A utilização da capacidade de operação atingiu o menor nível da série histórica (53%). O índice encontra-se 2 pontos percentuais abaixo do de janeiro e 10 pontos percentuais abaixo da média histórica para o mês de fevereiro.

Expectativas ainda pessimistas

A CNI informou que os indicadores de expectativa caíram no mês de março, após duas altas consecutivas em janeiro e fevereiro. O índice de expectativa do nível de atividade diminuiu 1,2 ponto na passagem de fevereiro para março. No entanto, permanece próximo da linha divisória de 50 pontos que separa expectativa de crescimento e de queda.

Os indicadores de expectativa de novos empreendimentos, serviços e de compras de insumos e matérias-primas caíram, respectivamente, 0,5 e 1,2 ponto entre fevereiro e março. O índice de expectativa do número de empregados passou de 47,1 em fevereiro para 46,1 pontos em março.

Fonte: Agência Brasil, Edição: Valéria Aguiar

Permuta

A boa e velha permuta de volta: e com força..

Permuta

Até 2013, início do esvaziamento forte da bolha imobiliária, os financiamentos imobiliários bancavam 80% dos negócios. A crise trouxe de volta uma boa e velha prática: a permuta.

“As pessoas continuam com vontade de mudar de imóvel, mas, em tempos difíceis, preferem preservar o dinheiro guardado no banco ou simplesmente não tem caixa para investir em uma casa nova”, afirma o diretor comercial da imobiliária Coelho da Fonseca, André Souyoltgis.

É nesse cenário que esse tipo de transação ganha espaço.

De acordo com ele, de 2015 até agora, o número de permuta de imóveis cresceu em razão da crise.

“2016 foi o ano com o maior número de trocas em dez anos. Fizemos 2,5 vezes mais permutas em 2016 do que em 2015”, diz Souyoltgis, sem no entanto revelar os números dessas negociações.

O negócio ficou tão em alta que a imobiliária Lello precisou criar um campo de busca novo em seu site.

“Em agosto, com o número crescente de pedidos, decidimos inserir a opção ‘permuta’ no portal. Assim, quem procura uma casa nova para comprar já consegue saber quais vendedores aceitam outro imóvel em troca”, explica o diretor de vendas da Lello, Igor Freire.

“Os proprietários estão mais flexíveis, porque sabem que se não aceitarem um imóvel menor como parte do pagamento, podem ficar muito tempo esperando pelo comprador perfeito”, afirma.

Fernando Araújo Carneiro, de 33 anos, foi um dos que se beneficiaram com a maleabilidade dos vendedores.

O eletricista queria sair do apartamento de dois quartos, sala e cozinha para morar em uma casa maior.

Chegou a colocar seu imóvel à venda, mas ninguém queria pagar o valor que ele considerava ideal.

Junto com a imobiliária, resolveu apostar na permuta.

Encontrou um proprietário que não estava conseguindo vender a casa de R$ 500 mil.

“Ele decidiu aceitar meu apartamento e meu carro em troca, porque pelo menos teria uma parte do dinheiro em mãos. Era melhor do que esperar mais tempo pela venda tradicional”, diz Carneiro.

O eletricista ainda obteve um financiamento imobiliário de R$ 200 mil para pagar o restante do valor.

“Para a minha família foi excelente. Queríamos mudar para uma casa melhor, com mais quartos e outras facilidades, mas não tínhamos dinheiro nem crédito para isso. A permuta possibilitou a realização do sonho”, conta.

Nem todos aceitam permuta

Nem sempre, porém, é fácil combinar a compra e venda dessa forma.

Apesar de a crise ter facilitado a permuta, compradores, vendedores e corretores podem enfrentar alguns percalços no processo.

“É difícil encontrar dois clientes que tenham desejos conciliáveis. O proprietário do imóvel de valor mais baixo precisa achar um outro dono que aceite aquela casa ou apartamento como está”, diz Freire.

A dica para a permuta dar certo é aceitar uma depreciação do valor de mercado.

“Assim, o vendedor sabe que vai conseguir ganhar alguma coisa quando vender o apartamento que aceitou como parte de pagamento.”

Segundo o CEO da Imobiliária Mirantte, Luiz Carlos Kechichian, ele incentiva seus funcionários a conhecerem muito bem seus clientes.

“Às vezes, um comprador precisa ir para uma casa maior, em um bairro mais afastado da cidade, porque a mãe ou a sogra vai se mudar para a residência dele. Então, o corretor pode oferecer a permuta para uma família, que ele saiba que deseja migrar para um apartamento pequeno porque os filhos saíram de casa, por exemplo.”

Urgência na venda estimula permuta

Além da crise e de necessidades pessoais específicas, outras razões que fazem os clientes aceitarem as permutas são a vontade de se livrar de altas taxas condominiais ou IPTU.

“Se o vendedor está com dificuldade de achar um comprador que pague em dinheiro a quantia total, é melhor aceitar a troca por um apartamento menor e gastar menos com condomínio e manutenção”, diz Freire.

As permutas – que, na verdade, funcionam como uma compra e venda dupla – são interessantes para as imobiliárias, porque garantem o pagamento de duas comissões, em cima do valor dos dois imóveis.

“Por isso, é interessante que corretores se empenhem para realizar esse tipo de negócio”, diz Kechichian.

No entanto, é exatamente a comissão duplicada que pode atrapalhar algumas negociações.

Como a pessoa que oferece um imóvel de menor valor como pagamento é, normalmente, a compradora, ela acredita que só a outra ponta é quem deve pagar comissão.

“Ela não entende que, na verdade, também está vendendo o imóvel dela, e por isso, deve pagar pela intermediação imobiliária”, diz Freire.

Para convencer os clientes, vale explicar que a permuta também tem vantagens tributárias.

“Se a troca é feita entre imóveis de valores iguais, não há cobrança em cima do ganho de capital no imposto de renda; ou então só serão pagos o ganho de capital em cima da diferença entre os dois imóveis”, diz o advogado especialista em direito imobiliário, José Guilherme Siqueira Dias.

Avalie
Velocidade para os dois.

Quando um vendedor aceita permuta na negociação, ele pode se livrar mais rápido do imóvel. O mesmo vale para o comprador, que não precisa vender o bem antes de fazer nova aquisição.

Dinheiro no banco
Em vez de esperar muito tempo para vender um apartamento e continuar pagando condomínio e IPTU, por exemplo, o proprietário pode aceitar um imóvel de menor valor. Dessa forma, garante pelo menos uma parte em dinheiro e diminui os gastos com manutenção.

Imposto de renda
Com a permuta, o vendedor só tem ganho de capital em cima da diferença entre um imóvel e outro. Caso seja uma troca “taco a taco”, não há cobrança de imposto de renda em cima da venda. (PS.: “taco a taco” significa bens de mesmo valor, sem retorno, condição improvável).

Duas desvantagens
Vendedor e comprador têm de concordar com a troca; e encontrar a combinação perfeita pode levar tempo. Além disso, é preciso que as duas pontas paguem a comissão da imobiliária.

Permuta pode incluir outros bens

A troca de dois imóveis é o tipo de permuta mais comum nas imobiliárias.

Mas outros itens também são aceitos – ou pelo menos oferecidos – como parte do pagamento.

É o caso de automóveis e motos.

“Quando o carro corresponde a uma parte pequena do valor total, os vendedores acabam aceitando”, diz o diretor de vendas da imobiliária Lello, Igor Freire.

“É uma prática bem comum nas concessionárias: dar o carro usado como parcela do automóvel novo. Por isso, é comum acontecer na permuta imobiliária também”, diz o diretor comercial da Coelho da Fonseca, André Souyoltgis.

O eletricista Fernando Carneiro ofereceu seu Chevrolet Onix 2014 como parte do pagamento do novo sobrado em Itaquera.

“Precisava complementar o valor do apartamento, mas não poderia ser em dinheiro porque não conseguiria todo o financiamento pelo banco.”

Souyoltgis, diz que é comum os clientes oferecem gado, joias, quadros, esculturas ou outras obras de arte e até avião. “Não são ofertas comuns, mas acontece.

E tem gente que aceita.

Segundo o CEO da Imobiliária Mirantte, Luiz Carlos Kechichian, antigamente até linha telefônica era ofertada na compra de um imóvel.

“Hoje, as tentativas mais inusitadas são de barras de ouro e títulos do Tesouro, mas é bem difícil dar certo uma permuta dessas.”

No entanto, quando a troca envolve o uso desses bens para pagar um imóvel (em vez de imóvel por imóvel) as imobiliárias não podem cobrar comissão. “Como não é considerado intermediação imobiliária, não há comissão.”

Fonte: Estadão