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História de Santos, de Vila à Cidade

Santos no Século XVIII

Na sua edição especial de 26 de janeiro de 1939, comemorativa do centenário da elevação de Santos à categoria de cidade – exemplar no acervo do historiador Waldir Rueda – o jornal santista A Tribuna publicou esta matéria:

Santos e a Civilização Brasileira

História breve dos fatos principais da Vila e Cidade, em seu desenvolvimento, entre os anos de 1550 e 1938

Em 1550, chegava ao termo da Vila o enviado de el-rei D. João, o provedor-mor Antonio Cardoso de Barros, o qual, após ter fundado no ano anterior a Alfândega da Bahia, e a Alfândega Seca de S. Vicente, vinha instalar a Alfândega de Santos, o que fez, entregando o provimento da mesma a Braz Cubas, tornado então, e confirmado em 1551, provedor da Fazenda Real da Capitania de São Vicente.

A 8 de fevereiro de 1552, chegava a Santos o governador geral Tomé de Sousa, aprovando, então, o foral de vila dado a Santos seis anos antes por Braz Cubas.

Em março de 1560 dava-se a chegada de Mem de Sá, que lhe construiu um forte perto da Casa do Conselho, denominado Forte da Vila, e mais tarde “da Praça” e “do Monte Serrate”, passando ao planalto, onde extinguiu a Vila de Santo André da Borda do Campo e oficializou a de S. Paulo de Piratininga.

Confederação dos Tamoios

Em 1563 anunciava-se a famosa Confederação dos Tamoios, que era a reunião de cerca de 10.000 guerreiros tamoios, resolvidos a liquidar Santos, São Vicente e S. Paulo. De Santos saíram, então, José Adorno com gente sua e embarcações de sua propriedade, levando os padres Manoel da Nóbrega e José de Anchieta, resultando daí o afastamento do perigo, com as pazes entre tamoios e portugueses e a realização do histórico armistício de Yperoig.

Em 1565, confirmando o socorro dado a Estácio de Sá no ano anterior, deu Santos ao mesmo valoroso comandante novo socorro de gente, armas, munições, embarcações e mantimentos, seguindo José Adorno e seu administrador Heleodoro Eoban Pereira, à testa de um corpo de combatentes, e mais, Manoel da Nóbrega, José de Anchieta, Gonçalo de Oliveira e Pedro Martins Namorado, contra a gente de Villegaignon e tamoios aliados, conseguindo desalojá-los e expulsá-los da Guanabara, fundando a cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro, a 20 de janeiro de 1567.

Durante o socorro de Santos ao Rio de Janeiro, foi a Vila invadida pelos tamoios de Ubatuba, e, desamparada como estava pela sua melhor gente, quase foi destruída, salvando-se pela astúcia de um índio negro, cujo nome não ficou na história.

Em 1583 era Santos invadida pela gente de Edward Fenton, comandante inglês, que, sabendo estarem os habitantes descontentes com o domínio espanhol, pretendeu com astúcias e engodos obter a adesão dos santistas à ideia do domínio inglês. Com a chegada da esquadra do almirante castelhano Diogo de Valdez, travou-se combate encarniçado entre os espanhóis auxiliados pela guarnição e pelo povo da vila e os marinheiros de Fenton, que terminou com a expulsão dos intrusos, o afundamento de sua nau capitânia e o apresamento de muita arma e munição, que serviu para instalação da Fortaleza de Barra Grande, logo a seguir.

Em 1585, instalava-se em Santos o famoso Colégio dos Jesuítas, que tantas luzes lançaria no campo intelectual da colônia e da vila.

Em 1590, é Santos novamente invadida, e desta vez pelos corsários de Cook e Cawendish, que a ocuparam durante quase um mês, depredando-a, saqueando-a e prejudicando seus papéis e arquivos, com os incêndios efetuados, o desaparecimento do Livro do Tombo etc.

Em 1591 voltou Cawendish a Santos, mas, desta vez, prevenida a população, foram os piratas repelidos e morta uma parte de sua gente.

Em 1614 verifica-se a invasão do almirante Joris Van Spilbergen, com seis naus de guerra, tendo os santistas repelido, após muitos dias de combate, com o auxílio de Amador Bueno e Lourenço Castanho, Tacques, as tropas invasoras, que pretendiam começar o domínio holandês tentado depois com êxito na Bahia.

Santos em auxílio da Bahia

Cerca de 1640, atendendo aos insistentes pedidos de socorro, lançados pelos baianos aos paulistas, organizou-se em Santos uma grande legião de índios brasileiros e portugueses, que, reunida à tropa descida de São Paulo, um batalhão de duzentos paulistas e trezentos sagitários, partiu para a Bahia, sob o comando do capitão Luís Pedroso de Barros, D. Francisco Rendon de Quebedo, Diogo da Costa Tavares, Manoel Fernandes Abreu, João Paes Florião e Antonio Raposo Tavares. Com a retirada de D. Francisco de Quebedo operada no Rio de Janeiro, passou Antonio Raposo Tavares para a chefia da tropa, e sob seu comando, cumpriu a gente de Santos e São Paulo o seu espontâneo dever, em largos anos de guerras e trabalhos.

Em 1642, 1646 e 1647, novas forças foram enviadas de Santos para o mesmo destino. Em 1647, ao passo que uma bandeira de 200 homens de guerra e outros tantos índios seguia por terra, num feito extraordinário e sem precedentes, rumo da Bahia, outra coluna de 2.200 homens, índios, paulistas e portugueses, seguia por mar, em naus, galeras e bergantins, levando precioso auxílio aos baianos, que puderam dentro de pouco tempo vencer a pressão dos holandeses, e expulsar os batavos do solo brasileiro.

Gente santista para o Prata

Em 1679, chegando a Santos o tenente-general Jorge Soares de Macedo, com ordens de D. Rodrigo de Castello Branco, pouco depois lhe fornecia a gente santista um corpo de 200 flecheiros e 300 homens de guerra, para uma jornada ao Rio da Prata, onde os espanhóis perturbavam a paz do Sul do Brasil, ameaçando ocupar a atual região do Rio Grande, a fim de desalojá-los e prosseguir caminho, no descobrimento de prata e ouro.

Em 1683, estourava em Santos a revolta do “viva o povo e morra o mau governo”, em consequência do mesmo movimento estalado em São Paulo, e dada a justiça da causa dos paulistas.

A expedição Ducler

Em 1710 chegava a Santos, com propósitos de invadi-la, Francisco Ducler, o infortunado comandante francês, que, repelido, rumou para o Rio de Janeiro, onde, após rudes combates, conseguiu penetrar, sendo por fim envolvido e aprisionado. Quando de sua chegada a Santos foram repelidos porque os santistas, sabedores da aproximação dos franceses, puderam obter a tempo o auxílio de Amador Bueno da Veiga, Domingos Fernandes Pinto e mestre de campo Domingos da Silva Bueno, e dos notáveis sertanistas.

Contra o monopólio do sal

Nesse mesmo ano, era a vila santista invadida por Bartolomeu Fernandes Faria, à frente de fortíssimo corpo de 200 homens de guerra e 600 índios carijós, e aí, apesar de ser uma praça fortificada, com 4 companhias de infantaria paga, sob o governo do mestre de campo José Monteiro de Matos, não pôde resistir à gente de Bartolomeu Fernandes, chegada de surpresa.

Bartolomeu, entretanto, não vinha fazer mal a ninguém, vinha apenas dar uma lição ao governo da metrópole e aos gananciosos do comércio do sal, que, valendo-se de um monopólio odioso e com os armazéns transbordantes do precioso elemento, protegidos pela política do reino, exploravam os compradores locais e de serra acima, cobrando preços verdadeiramente absurdos pelo fornecimento desse sal.

Bartolomeu tomou tais armazéns, tirou toda a quantidade de que precisava, pagou-a ao preço anterior, que era o justo e devido, sem fazer o menor mal ao respectivo contratador, retirando-se em seguida, pelo mesmo caminho, a rumo da serra.

Equiparação da Alfândega santista à do Rio

Em 1720, era a Alfândega de Santos equiparada à do Rio de Janeiro, fato esse conhecido em Santos somente alguns meses depois.

Em 1765, era feito o primeiro recenseamento santista, por ordem de D. Luís Antonio de Sousa Botelho Mourão, verificando-se que Santos tinha uma população de apenas 2.081 habitantes, sendo 942 homens e 1.139 mulheres, sendo a maior fortuna da vila a do sargento-mor João Ferreira de Oliveira, no valor de 16 contos de réis.

Em socorro do Rio Grande do Sul

Em 1766, os espanhóis invadiam novamente o Rio Grande do Sul, e o governador da praça santista organizou, no termo da vila e redondezas, quatro companhias de aventureiros, sob o comando do sargento-mor José da Silva Santos, enviando-as em socorro daquela região brasileira.

Em 1774, perduravam ainda os acontecimentos do Rio Grande, e mais quatro companhias de dragões paulistas embarcavam em Santos, reforçadas com voluntários locais, para o mesmo destino e mesmo fim.

Em 1776 seguiam as últimas forças enviadas de Santos para o campo de operações do Sul. Eram tropas regulares. Um regimento de infantaria da guarnição da praça, que tomou o nome de seu comandante, o coronel Manoel Mexia Leite, sente que, em regra geral, não recebia soldo havia dez a quinze anos, e alguns, mais desfavorecidos, havia trinta anos.

Essa força retornou em 1780 a Santos, com o resto das expedições anteriores, depois de lutas que duraram tantos anos e que terminaram com a expulsão completa e definitiva dos castelhanos.

Os serviços postais e a iluminação

Em 1798 aparecia o primeiro correio entre Santos, São Paulo e Rio de Janeiro, criado pelo capitão-general Antonio Manoel de Mello Castro e Mendonça.

Logo a seguir, em 1800, a 14 de outubro, o mesmo capitão-general estabelecia novas linhas postais entre S. Paulo, Itu, Paranaguá e S. Sebastião, ligando Santos a todos esses pontos da Capitania.

Em 1810, a 17 de janeiro, era expedido regulamento para a primeira iluminação de Santos, com 69 lampiões de azeite de baleia.

Na campanha de Montevidéu

Em 1811 e 1812 pronunciava-se a Campanha de Montevidéu, e novamente Santos era chamada a participar das forças brasileiras enviadas para aquela campanha. Várias unidades regulares e irregulares seguiram de Santos, sob o comando de várias patentes, incluindo o sargento-mor e futuro brigadeiro e marechal, Joaquim Mariano Galvão de Moura Lacerda, o tenente de artilharia, futuro marechal João Olyntho de Carvalho e Silva, o capitão e também futuro marechal de campo José Olintho de Carvalho e Silva, além de outros de menor patente.

No recenseamento de 1814

Em 1814, novo recenseamento era feito em Santos, e a vila aparecia, então, com uma população de 5.128 habitantes, sendo 1.319 homens, 1.674 mulheres e 2.135 escravos, com 691 casas, divididas por 15 ruas e praças.

Entre esses habitantes, existiam 10 alfaiates, 1 boticário, 6 botequineiros, 2 barbeiros, 4 calafates, 17 carpinteiros, 9 ferreiros, 4 frades, 76 lavradores, 2 médicos (do presídio), 1 mestre de primeiras letras (régio), 2 marceneiros, 2 músicos, 77 negocianes, 5 ourives, 1 tabelião, 8 sacerdotes, 3 pintores, 24 sapateiros, 1 tanoeiro, 1 tamanqueiro, 8 padeiros, 1 paleiro e 1 pasteleiro.

Novas operações militares

Em 1816 e 1817, novas ações militares brasileiras, na fronteira do Rio Pardo, levavam novas forças de Santos, e novamente soldados e comandantes santistas eram chamados a intervir em favor da pátria ameaçada, sendo o tenente-coronel Joaquim Mariano Galvão de Moura Lacerda, sub-comandante dos combates de Cassumbé, em outubro de 1816, e da batalha da Catalã, em janeiro de 1817, e bem assim o então capitão José Olintho de Carvalho e Silva, voltando ambos a Santos, com as forças vitoriosas do Brasil, somente no ano de 1821, após cinco anos de guerras.

Em 1816, operava-se novo recenseamento em Santos, aparecendo a vila com mais 248 homens livres e 82 escravos a menos que o recenseamento anterior, efetuado em 1814.

A revolta de Francisco das Chagas

Em 1821 estourava em Santos, em junho, a famosa Revolta do Francisco das Chagas, fruto do preparo civil da mentalidade separatista de Santos. Esta revolta deu início aos acontecimentos políticos militares de S. Paulo, que, em articulação com os Andradas, originaram a precipitação e a realização da Independência, em que apareciam, como responsáveis diretos e indiretos, muitos cidadãos santistas.

A proclamação da Independência

Em 1822, a 3 de setembro, chegava a Santos o príncipe imperial regente, que José Bonifácio, em combinação com a princesa D. Leopoldina, Martim Francisco e quase todo o ministério sob sua chefia, deslocara para S. Paulo, a fim de embeber-se do espírito independentista dos paulistas.

Em Santos, convenceu-se D. Pedro da fidelidade e do estado das tropas e das fortalezas de Santos, como já se certificara da realidade militar e cívica de toda a província, proclamando, dois dias após sua saída de Santos, a Independência brasileira, no alto da colina do Ipiranga. Santos concorrera como sempre, para o bem do Brasil, ajudando, melhor do que nenhuma outra cidade talvez, a grande obra de sua separação política (N.E.: o autor se equivocou nas datas, D. Pedro na verdade chegou a Santos na tarde do dia 5 e saiu no alvorecer do próprio dia 7 em que proclamaria a Independência).

Novos recenseamentos e o caminho do mar

Nesse ano de 1822, novo recenseamento foi realizado em Santos, bem detalhado e completo. Viu-se que a vila possuía 4.781 habitantes, dos quais 2.489 homens e 2.292 mulheres, sendo 2.696 livres e 2.085 escravizados. Compunha-se Santos de vinte ruas e praças.

Em 1827, a 17 de fevereiro, inaugurava-se a estrada de rodagem de Santos ao Cubatão, completando o Caminho do Mar, sobre o grande aterrado dirigido e efetuado pelo notável engenheiro cel. Daniel Pedro Muller, cessando desde então o tráfego de canoas e outras embarcações do Cubatão para Santos, baldeando a carga trazida do planalto.

Em 1828 realizava-se novo recenseamento. Santos aparecia com 5.142 habitantes.

Primeira Câmara e juizados de paz

Em 1829, verifica-se a eleição da primeira Câmara Municipal do Império, denominada Câmara dos Padres, por conter quatro sacerdotes (N.E.: entenda-se como primeira de Santos no tempo do Império).

Nesse mesmo ano, a 1º de dezembro, promulgava-se a lei, criando em Santos os juizados de paz, como de resto em toda a província, tendo sido nomeado primeiro juiz de paz aqui, o capitão João Baptista Rodrigues da Silva, e o segundo, anos depois, Barnabé Francisco Vaz de Carvalhaes, proprietário da ilha que hoje tem o seu nome.

Em 1836, a 4 de setembro, inaugurava-se o terceiro Hospital definitivo da Misericórdia, junto ao Monte Serrate, sendo seu realizador o cap. Antonio Martins dos Santos, provedor de 1835 a 1836, inaugurando-o, todavia, o novo provedor de 1836 a 1839, cons. Cláudio Luís da Costa.

“O Rancho Grande e o Hospital da Misericórdia, tomados no ano de 1839, exatamente há cem anos, quando se deu a elevação de Santos à categoria de cidade”

Elevação de Santos à categoria de cidade

Em 1839, a 26 de janeiro, verifica-se a elevação de Santos à categoria de cidade, em homenagem à memória de José Bonifácio de Andrada e Silva, falecido no ano anterior, sendo a comunicação recebida somente a 26 de fevereiro seguinte, e aí comemorada com grandes festas e intenso júbilo.

Em 1840 verificava-se a nova iluminação pública, expedindo o desembargador Manoel Machado Nunes, presidente da província, o novo regulamento, que dotava Santos de 60 lampiões de quatro luzes, ainda a azeite.

Em 1846 Santos era visitada pelos imperadores D. Pedro II e D. Thereza Christina.

Criação da Capitania dos Portos – Em 1847, a 11 de setembro, era criada pelo governo a Capitania dos Portos de S. Paulo, em Santos, por decreto n. 531 daquela data.

Em 1848 aparecia, a 2 de setembro, o primeiro número da Revista Commercial, o primeiro jornal impresso que circulou em Santos.

Em 1854, novo recenseamento se processava em Santos, já então cidade, verificando-se uma população de 7.855 habitantes, dos quais 4.199 eram homens e 3.656 mulheres; nacionais 7.145 e estrangeiros 710.

A 21 de agosto de 1859 fundava-se em Santos a Sociedade Portuguesa de Beneficência. A primeira pedra do hospital próprio foi lançada a 12 de abril, mas o hospital só foi inaugurado dez anos depois, a 6 de janeiro de 1878.

A 24 de novembro de 1860 realizavam-se em Santos os primeiros trabalhos para instalação da Estrada de Ferro Inglesa, que só se inaugurou sete anos depois, a 16 de fevereiro de 1867.

Santos na Guerra do Paraguai

Em 1865 pronunciava-se a Guerra do Paraguai, e Santos, como sempre, movimentou-se, transformando-se em praça militar, recebendo grandes contingentes de S. Paulo e do interior, engrossando-os com seus voluntários, sendo suas tropas regulares e seus recrutas, além de alguns oficiais que se evidenciaram naquela campanha, como o depois general Affonso Pinto de Oliveira, o tenente Campos Mello, o futuro marechal João José da Luz, o também futuro marechal Pêgo Júnior, o cel. Joaquim Antonio Dias, o brigadeiro José Ferreira (morto em combate na passagem de Itororó) e o tenente José Ricardo da Costa Aguiar, oficial da marinha (também morto em combate em Riachuelo).

Em 1868 foi feito o primeiro serviço de águas para abastecimento da cidade, ao mesmo tempo da primeira iluminação a gás, serviços inaugurados, porém, dois ou três anos depois.

Fundação da Associação Comercial

A 17 de setembro de 1874 fundava-se e instalava-se em Santos a Associação Comercial, então a “Praça do Café”, resultado dos esforços do com. Ferreira da Silva, do Visconde de Embaré, do Visconde de Vergueiro, do dr. Ignácio Wallace da Gama Cochrane, do comm. João Alfaya Rodrigues, Azurém Costa, Henrique Leuban e mais alguns.

Em 1871 foi feito o penúltimo recenseamento santista, ao tempo do Império. Santos tinha 9.191 habitantes e 1.382 prédios; 7.585 eram livres e 1.506 escravos.

Em 1872 inaugurava-se a primeira linha de bondes de burro estabelecida na cidade, a 7 de setembro, ligando a cidade ao Boqueirão.

Em 1874 a população santista é atacada pela febre amarela e pela varíola, principalmente por esta última, figurando entre as vítimas notáveis Xavier da Silveira, santista ilustre.

Em 1876 construía-se a nova Alfândega, sobre a velha, sendo as obras fiscalizadas pelo dr. Garcia Redondo.

Nesse mesmo ano, realiza-se a 2ª visita da família imperial a Santos. Já o sentimento republicano começava a se alastrar na cidade, ao mesmo tempo dos primeiros movimentos abolicionistas.

Abolicionismo e republicanismo

Em 1882, intensa e enorme era a contribuição de Santos em favor dos ideais da Abolição e da República, fundando-se nesse mesmo ano o Jabaquara, famoso reduto armado, onde se acoutavam em 1888 alguns milhares de negros, arrancados ao cativeiro pela gente de Santos e tornados livres.

Em 1884 verificava-se em Santos o motim popular conhecido como o Quebra-lampiões, levantando-se o povo contra a Cia. que explorava os serviços de bondes, água e luz, quebrando todos os lampiões e atirando os bondes ao mar.

A 27 de fevereiro de 1886, celebrava-se a extinção completa da escravidão em Santos e São Vicente, fundando-se uma associação que tomou o nome da data, 27 de Fevereiro, destinada a resgatar e livrar escravos das vizinhanças ou que passassem pelo porto.

Em 1886 realizava-se o último recenseamento do Império. Santos apresentava uma população de 15.605 habitantes.

A abolição em 1888 e a concessão do cais

A 13 de maio de 1888, verificava-se a Lei Áurea, e Santos, que formara na vanguarda das cidades abolicionistas, promoveu oito dias de festas, em que o trabalho ficou inteiramente suspenso para todos, não se cogitando de outra coisa, senão das comemorações de um povo que lutara e sofrera para o Brasil chegar a tal resultado.

Nesse mesmo ano de 1888, assinava-se o contrato para a construção do cais de Santos, sendo suas primeiras obras iniciadas quase ao fim desse ano e princípios de 1889, partindo do antigo Arsenal.

Proclamação da República

A 15 de novembro de 1889 verificava-se a grande passagem da Proclamação da República, e novamente Santos se engalanava, vendo vencer um ideal, que a melhor parte do seu povo defendera durante muitos anos, sofrendo e lutando por ele.

Em 1890 realizava-se o primeiro recenseamento da República, aparecendo Santos com a população de 13.012 habitantes, ou seja, 3.000 almas a menos do que o último realizado 4 anos atrás, o que se atribuiu à grande epidemia de febre amarela de 1889, que dizimara a população local e afugentara muita gente.

Em 1893 verificava-se a Revolta da Armada, agitava-se novamente Santos, dividida em dois campos, pró e contra Floriano, transformando-se em praça de guerra, com fortalezas e baterias alertas, lutas internas, perseguições, prisões etc.

Em 1894 promulgava-se a primeira Constituição Municipal, assinando-a: dr. Manoel Maria Tourinho, José Caetano Munhoz, Alexandre José de Mello Júnior, José André do Sacramento Macuco, Alberto Veiga, Antonio Manoel Fernandes, João Braz de Azevedo, Antonio Vieira de Azevedo e Augusto Filgueiras.

Santos no século XX

Em 1900 realizava-se o segundo recenseamento municipal. Santos aparecia com uma população de 50.389 almas. Em 1901 já contava 52.000 e cerca de 5.000 casas, e atravessava então sua grande fase de expansão.

Em 1913 operava-se novo recenseamento, dividindo-se a cidade em 8 distritos. Em 1914, a 7 de maio, proclamava-se uma população de 88.967 almas.

Em 1918, essa população já era de 100.000 almas, com dez mil prédios. Nesse ano, é a cidade assolada pela “espanhola”, a terrível epidemia de gripe, que matou milhares de pessoas.

A 26 de dezembro de 1926 fundava-se em Santos sua primeira Estação Rádio Transmissora, o “Rádio Clube de Santos” – P.R.B.4.

Em outubro de 1930 atravessou Santos um período agitado com a vitória da revolução de 3 de outubro, chefiada pelo sr. Getúlio Vargas, assistindo-se a correrias populares, incêndios, empastelamentos etc.

Em 1932 verificava-se em S. Paulo a Revolução Constitucionalista. Santos agitou-se, e aderindo quase inteiramente ao grande movimento cívico, deu cerca de 5.000 soldados regulares e irregulares, e milhares de contos de réis em jóias e donativos de toda ordem, perdendo 36 filhos em campanha.

Em 1934 inaugurava-se em Santos a segunda Estação Rádio Transmissora, a “Rádio Atlântica de Santos” – P.R.G.5.

A 25 de março de 1936 realizavam-se as primeiras eleições municipais, após o evento revolucionário de 1930.

A 10 de novembro de 1938, era dissolvida a Câmara Municipal de Santos, eleita em 1936, por força do golpe de Estado do presidente Vargas.

Fonte: Jornalista Carlos Pimentel Mendes, do Novo Milênio

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